E lá vai ela, a menina magricela com suas pernas finas e a pele amarela.
Corre por aí sem se preocupar com o tempo.
Brinca de bola, pipa e peão.
Cabelos soltos, roupas largas.
Olhos castanhos e saltitantes.
Não sabe o que vem pela frente.
Não se importa com o que passou.
Sente apenas o presente.
E lá vem ela, a mocinha magricela com suas pernas finas e a pele amarela.
Corre por aí se preocupando com o tempo.
Já não brinca de bola, pipa e peão.
Pensa em química, matemática e no Gustavo.
Cabelos amarrados, roupas apertadas.
Olhos castanhos e vibrantes.
Não sabe o que vem pela frente, mas espera por tudo.
Não se importa com o que passou, mas tem medo do que irá deixar pra trás.
Sente o presente, porém tenta ver além.
E cá está ela, a mulher magricela com suas pernas finas e a pele amarela
Corre por aí lutando contra o tempo.
Jã não brinca.
Pensa nas contas, no trabalho e na família.
Cabelo curto, roupas arrumadas.
Olhos castanhos e cansados.
Não sabe o que vem pela frente, mas planeja tudo.
Já se importa com o que passou.
Sente o presente, o passado, o futuro.
E no passar do tempo
Vê seu tempo passar.
Aqui se lê sobre tudo o que interessa a quem escreve. Tudo muda constantemente, inclusive as opiniões. Aqui se encontra uma escrita livre que se impulsiona pelo desejo de expressar-se. Sinta-se a vontade para questionar e criar. No dia a dia construo minhas ideias e elas diariamente me desconstroem. Nessa costura que faço na minha rotina compartilho com vocês os retalhos e que possam, assim, remendar seus seres.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
segunda-feira, 25 de junho de 2012
Olá! Boa noite.
Deem licença agora que vou recitar-me.
Falarei da alma
Discursarei sob o corpo
Comentarei das vestes que iludem os moços.
E o que cobre o rosto?
Relatarei também.
As máscaras, as marcas, as farsas
Revelarei sem desdém.
Com medo, com senso e sem consenso
Direi o que não ouso.
Na covardia que os versos escondem
Serei coragem oculta.
E não sou culta para fingir valores.
Por isso, meus amigos, com licença, pois hoje vou recitar-me.
Deem licença agora que vou recitar-me.
Falarei da alma
Discursarei sob o corpo
Comentarei das vestes que iludem os moços.
E o que cobre o rosto?
Relatarei também.
As máscaras, as marcas, as farsas
Revelarei sem desdém.
Com medo, com senso e sem consenso
Direi o que não ouso.
Na covardia que os versos escondem
Serei coragem oculta.
E não sou culta para fingir valores.
Por isso, meus amigos, com licença, pois hoje vou recitar-me.
domingo, 17 de junho de 2012
Teatralizando, mascarando e vivendo.
Recordei-me
das aulas sobre a teoria junguiana e o conceito de persona. Lembrei-me também
de Winnicott e o falso-self. Notei que quem estava a montar minha máscara não
era eu, mas sim um outro. Ele moldava o gesso aos traços do meu rosto à sua
vontade e aos limites da minha face. Ela seria o resultado do nosso encontro e
o produto seria fruto de nós dois.
Várias camadas foram colocadas sobre minha
pele. A primeira foi fria e causou desconforto, mas logo me adaptei, pois era
leve. As seguintes iam se destacando em relação ao peso, porém o frio não era
tanto e estava mais acostumada com a sensação que elas proporcionavam. Ao longo
do processo sentia-me mais afastada, mais interiorizada. Algo estranho estava
se formando no meu rosto, destacava-se, distanciava-me. Já não estava mais a
vista. Escondida sob uma montanha de gesso sentia-me a vontade, arrisquei até
uma dancinha com os braços, claro que com cuidado para não machucá-la.
Com
o passar do tempo tive que me concentrar na respiração. O peso era algo que chamava
bastante atenção. Às vezes ficava ansiosa. Sentia-me presa. Voltava os
pensamentos para a respiração e procurava confiar no meu colega. No entanto,
ele cometeu uma falha: estava tampando meu nariz. Quando adicionou mais uma
camada a essa região percebi que aquela pequena passagem de ar foi interrompida
e comecei a sufocar. Passei a respirar com mais força, mas não havia ar. Os
outros integrantes perceberam e após poucos segundos abriram um pequeno buraco
e pude respirar novamente. Contudo, nesse meio tempo não fiquei nervosa.
Respirava fundo para tentar abrir uma passagem pela lateral e esperar alguma
solução. Pensava apenas em não arrancar a máscara naquele momento, pois a
estragaria. Ela já pertencia a mim e eu a ela.
A
fase final do processo foi particularmente interessante. Outro membro do grupo
veio ao meu ouvido e sussurrou uma série de frases. Pedia que fizesse alguns
movimentos com o rosto, que tocasse calmamente a máscara e sentisse que aquilo
não era mais eu, era qualquer outra coisa criada a partir de mim. Foi aos
poucos a soltando de minha pele e disse que da mesma forma que a construí
poderia me desfazer dela, não pude me conter e as lágrimas rolaram.
Pensando
em como se dão os relacionamentos na sociedade e o desenvolvimento da
personalidade humana, essa experiência que descrevi é um reflexo desses pontos.
O convívio social exige de nós alguns artifícios e estes nos ajudam a nos
adaptarmos ao mundo e às suas regras, valores e crenças.
A
máscara no teatro tem várias funções e entre elas está a de preservar o ator
dos olhares do público podendo ele observá-lo livremente. Esse instrumento
desrealiza a personagem, pois introduz um elemento estranho entre o ator e o
espectador que interfere na identificação deste com aquele. Ela é usada
frequentemente quando a encenação busca evitar uma transferência afetiva e
distanciar o caráter e será apenas no conjunto da encenação que seu uso fará
sentido.
No cotidiano, assim
como no teatro, nos valemos de máscaras que colaboram para a vida social e
preservação do nosso eu. É completamente saudável e compreensivo o uso destas. Contudo,
quando se trata do humano nada é tão simples quanto parece. Aquilo que um dia foi saudável e colaborativo
pode se transformar em um empecilho para a vida social e pessoal. Caberá a cada um saber utilizar sua mascará de forma que não se venha perder por trás dela ou confundir-se. Ela pode e deve sair do rosto quando for conveniente. É fundamental saber retirá-la e fazer cenas com o rosto nu.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Palavra corpo.
Em cada pulo uma gota de suor caí ao chão.
Em cada salto uma gotícula se dissipa no ar.
Seu corpo cansa, dói, seu corpo ri.
A energia flui.
Os ossos são estralados.
Gemem.
Dançam.
Como nós, são desenrolados.
A respiração desce e sobe
Falta e sobra
Prende e solta.
No movimento parasse tudo.
O que há dentro escorre pelos braços, testa e busto.
No bater dos pés ouvisse o que estava mudo.
Em cada salto uma gotícula se dissipa no ar.
Seu corpo cansa, dói, seu corpo ri.
A energia flui.
Os ossos são estralados.
Gemem.
Dançam.
Como nós, são desenrolados.
A respiração desce e sobe
Falta e sobra
Prende e solta.
No movimento parasse tudo.
O que há dentro escorre pelos braços, testa e busto.
No bater dos pés ouvisse o que estava mudo.
terça-feira, 29 de maio de 2012
Agulha de Bússola
E no compasso acelerado de meus passos fui em busca de uma poesia.
Seguindo o ritmo das batidas do coração procurei uma rima.
Com suor tentei misturar lágrima e encontrar algo doce.
Pensei que os movimentos das pernas poderiam cessar os pensamentos.
A dor do corpo cansado confundiria-se com o peito amargurado.
E nesse chão de barro corri todas as mágoas que o fôlego permitiu.
quinta-feira, 10 de maio de 2012
Guarda interna.
Exércitos caminham dentro de mim e às
vezes eles brigam entre si. Quando estão em acordo não há ninguém mais
poderoso do que eu. Eles são suficientes para fazer minha guarda. Não é
necessário ajuda de fora. Por dentro estou uma muralha, uma barricada é feita e
nada pode atravessá-la.
Eles não ganham
todas as batalhas, admito. No entanto, lutam bem na guerra. Já tiveram que
recuar algumas vezes, pois o inimigo era demasiado forte. Recompunham-se e
voltavam mais poderosos. Recusaram algumas lutas também. É necessário mais do
que força para permanecer ativo em tempos sombrios de guerra.
Teve momentos que a única saída
era se render ao oponente. Servir a outro reino. Isso manteve muitos soldados
vivos. Entregar-se para não sucumbir. A sobrevivência
vem à frente da honra, por mais que não se queira aceitar. Não há como resgatar
a dignidade estando morto. Adaptar-se
diante de uma derrota eminente é a única forma para se manter no jogo e tentar,
quem sabe, uma revanche em um momento que as forças estejam restabelecidas e
mais resistentes.
Existem revoltas dentro de um
exército. Por mais unido que seja há discordância de ideias entre aqueles que o
compõe. Nessas circunstâncias ocorrem algumas baixas. É preciso exterminar os rebeldes ou, um novo
comando se estabelece. Nesses instantes é preciso aliviar a pressão. Os olhos
são uma boa saída. As lágrimas são o sangue dos guerreiros. Nessas situações
muita coisa muda. Algo se torna
diferente. Porém, sempre haverá exércitos caminhando dentro de mim.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
Dê-me o nada.
É inimaginável. É impensável. Não dá para articular palavras e estabelecer um sentido sobre tal questão. Será que não vê que o que fala é tão despropositado que chega a ser engraçada tal colocação? Como? Diga-me como pode ser possível a aparição de algo que nunca existiu? Não há possibilidades de reavermos o que jamais tivemos. É melhor aceitarmos a nossa condição de não sermos e deixar para trás aquilo que poderíamos ter sido.
Pense bem, imagine olhar nos meus olhos e vê o abismo que nos atravessa. Dividir um abraço e perceber a frieza de nossa pele. Observar que dos lábios saem palavras que nada dizem. Notar que entre nós dois nada há. Sorrisos artificiais e lágrimas escondidas. Por favor, não nos obrigue a passar por tal constrangimento. Por que tentar ir além dos limites? Chega. Eu desisti. Não quero mais ter que esperar. Não há o que esperar. O que vem do seu lado sempre é o nada. Não saberei receber alguma coisa. Fique.
Imagine eu ter que olhar nos seus olhos e ver que minhas fantasias não findaram. Pense em como seria reacender em mim a esperança de um dia ter aquilo que nunca pude. Como seria sentir o afago? Como seria ter uma lembrança em que pudesse apoiar meu discurso? Não posso. Não aguento. Tenho medo. Não é possível. Isso é inimaginável. Não há nada do seu lado que eu queira esperar. Não posso mais esperar. Por favor, não force meus limites. Não me peça mais. Desisti.
Não saberia ter aquilo que sempre quis. Nesse momento não posso me perder no seu sorriso e me afogar na possibilidade de sonhar. Eu desisti.
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