Quando finalmente enxerguei, fiquei cega.
Meus olhos se negavam a perceber.
A minha visão estava nublada,
embasada, perturbada.
Quando inesperadamente escutei, fiquei surda.
Meus ouvidos não captavam mais as palavras.
Os sons se calaram.
Ficaram confusos.
Quando desesperadamente falei, fique muda.
Minha boca não aceitava mais transmitir os pensamentos.
As ideias foram silenciadas,
atrasadas, afastadas.
Quando sem querer senti, fiquei apática.
Minha alma não conseguiu aguentar.
As dores estão sufocadas,
acalmadas, fingidas.
Aqui se lê sobre tudo o que interessa a quem escreve. Tudo muda constantemente, inclusive as opiniões. Aqui se encontra uma escrita livre que se impulsiona pelo desejo de expressar-se. Sinta-se a vontade para questionar e criar. No dia a dia construo minhas ideias e elas diariamente me desconstroem. Nessa costura que faço na minha rotina compartilho com vocês os retalhos e que possam, assim, remendar seus seres.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Como foi feito?
É difícil encarar os variados fatos que ocorreram para as coisas estarem como estão. Olhar para trás e perceber que esse caminho já estava sendo trilhado sem você se dá conta de onde ele levaria não é algo fácil de ser realizado. Talvez até soubesse das consequências de cada passo, porém preferiu continuar sem muitas reflexões. E agora, quando você se depará com tudo aquilo que temia, porém sempre caminhou em direção a isso, se pergunta "como foi que aconteceu?".
Em primeiro lugar não aconteceu. Todas as suas escolhas e decisões te encaminharam para esse momento. Você participou de cada detalhe. Você não é vitima. Você não é algoz. Repense sua história, a nossa história e veja como tudo estava antes e me diga agora como foi que aconteceu. Consegue notar a relação?
Talvez tivesse intenções diferentes. Não sei. Nossa vida é uma teia que nos uni aos outros e a nossa própria história. Não há como escapar da responsabilidade para com sua vida. Com isso, não pergunte como as coisas aconteceram e sim, como elas foram feitas. Pare um pouco e respire, as vezes é necessário mergulhar fundo nas lembranças para encontrar algumas explicações e até mesmo um ponto que te dará força para enfrentar os obstáculos.
Contudo, nada adiantará vasculhar o passado se não estiver disposto a aplicar todo o aprendizado na construção de um futuro mais agradável. É preciso ter força para mudar, pois isso significa reconsiderar as diversas decisões que já foram tomadas e reavaliar suas atitudes tendo consciência de seu papel para consigo mesmo. Existe ainda oportunidade. Não será fácil. Não será rápido. Será um trabalho solitário, porém possível.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Ainda não.
Às vezes parece que quanto mais você tenta fugir mais próximo fica daquilo que menos deseja. Tanto tempo lutando para não ficar. Para não ser. Para não sentir. E agora as coisas caminham ao contrário. Não vou parar.
Estou em movimento. Estou tentando. Vou acertar o passo. Rendição não faz parte da minha história. Eu sobrevivi até aqui. Não vou parar. Não vou perder. Vou continuar até não ter medo de cair exatamente naquele buraco que tenho evitado. Ele ainda está por ai na minha estrada. Eu percebo isso. Sinto ele ao meu redor e uma energia que me puxa para ele. Porém, ainda não caí. Não vou cair. Seguirei.
Um dia irei abrir os olhos e verei diante de mim possibilidades que nesse momento são apenas sonhos sem expectativas de realização. Terei finalmente um pé no futuro. Ele será enfim motivo de espera. Ele será realizável. Levantarei da cama e sairei pela rua com as pernas que no momento se encontram trêmulas, porém fortes. Eu sairei.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Seja o oposto.
Não sou mais aquela matéria bruta na qual você depositou seus sonhos. No início tudo era espera. Tudo era mudança. Tudo poderia ficar melhor. Não tinha problema, melhorar por nós era o que queria. Então, li todas as suas instruções. Cada traço do seu esboço fui decorando e aplicando no meu entorno. O tempo passava e tudo mudava. Nos seus olhos eu via o reflexo de tudo o que esperava se transformar em fato. Eu segui, sem exigências, suas reivindicações. Não foi por mim. Não foi por você. Foi por nós. Por que ser dois era melhor do quê ficar um. Na minha tela permiti a você pintar com suas cores a obra que quisera. E quando finalmente alcancei o objetivo de ser aquilo que brilhava teus olhos e pulsava o coração, você fugiu. Deixou-me perdida. Sem saber mais o que ser e fazer.
Por muito tempo procurei encontrar motivos para a sua falta de clareza e consciência, até o momento que não vi propósito em te fazer enxergar o que poderíamos ser se não tivesse medo de se entregar. Desisti. Contudo, até agora fico me perguntando o que aconteceu. Será que teve receio por ver diante dos olhos tudo aquilo que esperou e pediu? Será que ficou assustado com a tamanha transformação de alguém que não se importava com as renúncias? Ou simplesmente, foi por que o que te mantinha ao meu lado era exatamente a procura por algo que não existia, que não poderia existir? O que te atraía era a busca de um ideal inalcançável?
Caí na minha própria armadilha.
domingo, 13 de novembro de 2011
O senhor da vida.
Se pudéssemos tê-lo sobre nosso controle, o que faríamos? Estendê-lo, encurtá-lo, retrocedê-lo, adiantá-lo. O que fazer? É ele quem nos domina.
Poder voltar ao passado e dizer aquelas palavras que ficaram presas na mente e nunca mais puderam ser ditas. Ou então, silenciar naquele instante em que a raiva o cegou e a boca fugiu do controle da razão. Dar aquele abraço no amigo que saiu pela porta e simplesmente não apareceu mais. Desculpar-se por não ter sido alguém em que se pudesse confiar naquela situação, naquela exata situação. Não estar na hora certa no lugar errado por que se atrasou um minuto para o encontro com aquele assaltante até o momento desconhecido. Ou quem sabe passar um pouco mais cedo? Um minuto, apenas um minuto e tantas coisas poderiam ser diferentes, mas o tempo não é condescendente. Com ele não tem conversa. Ele corre célere e não volta atrás e nem adianta suas decisões.
Imagine se ele nos permitiria ir um pouco mais a frente e visitássemos nosso futuro? Que graça seria. Poderíamos ter um vislumbre da condição de nossa vida e quem sabe rever algumas atitudes e escolhas no presente a partir do que fosse presenciado. Ele não faria isso. Essa oportunidade nos daria tudo. Teríamos o controle das variantes de nossa existência.
O tempo é tudo. O tempo é nada. Ele não se submete. Ele não perdoa. Mas, ele acolhe. Mostra-te que não há nada melhor do quê deixá-lo passar. Dá medo. Pois, ele nada te garante. Deixa tudo incerto. Ele arrasta tudo, tudo, simplesmente tudo, não deixa nada.
Tão majestoso. Soberano da vida. Não há como curvá-lo a nossos anseios. Tentamos usá-lo, aproveitá-lo, mas nunca é suficiente. Ele não é suficiente. Seu sabor é efêmero. Como fazer com ele? O que fazer sem ele?
Tempo. Ah, o tempo!
quarta-feira, 9 de novembro de 2011
A mulher bexiga
Notou, após um tempo tentando entender tal fenômeno, que o que o espelho refletia era o seu interior. Ficou um momento pensando e decidiu respirar fundo com o intuito de preencher de ar o vácuo que se encontrava dentro de si. Com isso ela inchou. Ficou redonda como um balão, repleta de ar. Ela encontrou uma forma, ainda não descoberta, de manter o ar lá dentro e desde então, vive com toda essa tensão.
Ás vezes, algumas pessoas dizem que quando ela está por perto conseguem ouvir um som que se assemelha a uma bexiga sendo esvaziada, mas logo termina.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
(Des)conhecido.
O telefone toca. Número desconhecido, nada mais conveniente, era você. Não pensei duas vezes e atendi. Não percebi por detrás dessa falta de identificação o familiar que me é estranho. Quem mais poderia ser? E mais uma vez veio com suas falas ensaiadas e eu já conheço seu enredo.
Por que? Por que ainda insisti? Será que não percebe que nós dois não somos e nunca seremos o que nos foi reservado pela vida? Não há nada que possamos fazer. Não há o que eu queira fazer. Não quero que me deixe, quero que me permita seguir. Siga também. Não fique preso àquilo que está além dos olhos e da pele. Continue por inteiro. Essa parte de si que fica presa a mim me sufoca. Vá.
Não entendi nada o que falou. Acredito que talvez sempre tenha sido assim. Só me deixe seguir. Siga também. Existem coisas, fatos, problemas, situações que não podem ser resolvidas, cabe a nós apenas ultrapassar tudo isso. Simplesmente continuar sem amarras. Não me prenda. Só me deixe caminhar sem ter grilhões aos pés. Não quero isso.
Essa falta de sentido em tudo está roendo por dentro. Só quero seguir. Se é que ainda me resta algo para seguir. Só quero ir. Deixe-me ir.
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