quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Somatotrofina


Crescer... Que tarefa difícil o tempo me impõe. 
Tento fugir, mas as marcas no meu rosto me lembram do meu dever.
Busco manter o riso puro da infância, porém meus olhos já viram coisas por demais. 
Correr não é tão simples quanto antes.
Para dançar é preciso ter ritmo. Que bobagem!

Crescer... É preciso crescer mesmo quando seus ossos não mais o farão.
Todos esperam e cobram isso de você.
Ninguém pergunta se o quer e se está pronto.
E, principalmente, como quer fazê-lo.
Todos parecem saber como deve ser menos você. 
Não sei se quero crescer.
Depois de ter o feito não poderei voltar atrás. 

Crescer ... Não era isso que esperava. 
Dá medo se perceber grande. As dimensões mudam.
Queria ficar onde estou, mas parece que nada me cabe mais
ou sou eu que não caibo? Não sei, talvez seja o mesmo.
O mundo me convoca a ser grande. 
Não sei como satisfazê-lo. 
Ele quer muito e eu não tenho tanto.

Diálogos



:- Não sei como tu aguenta viver ao lado dele.
:- Não é tão mal assim.
:- Como não? Vocês praticamente não se suportam. Ele vive fora de casa, chega tarde e não tem carinho por você.
:- Sim, mas é um bom dono de casa. Não deixa faltar nada. A geladeira tá sempre cheia. Minha casa vive bonita e bem arrumada. E é meu marido, estamos juntos a muito tempo.

:- Não sei se conseguiria viver com tão pouco.
:- Como assim tão pouco? Tente viver sem isso e me diga o que restará de si e do seu amor.
:- É? E agora, o que há de ti?

...

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

E que venha o amanhã.

Quero viver como se houvesse o amanhã. Sim, não há nada de errado com a afirmação. Viver sem o amanhã é desesperador, é assustador. Eu preciso do amanhã. Eu quero o amanhã. Não tê-lo é estar no fim. No vazio do tempo. Sem amanhã não tenho nada. Não tenho esperanças. O hoje é muito pouco. Necessito me ver mais a frente na história, na minha história. Saber que no próximo dia tenho a chance de ser melhor. E isso não quer dizer que desvalorizo o presente já que creio que um novo dia irá alvorecer. Pelo contrário, o trato com mais carinho sabendo que ele irá germinar e crescer ao amanhecer de um novo dia. 

A nossa vida é um percuso. Viver como se não houvesse mais estrada à frente é atirar-se em um penhasco. É fundamental acreditar que existe chão para caminhar. Por mais que o hoje seja o terreno onde plantamos nossos sonhos preciso acreditar que o amanhã virá para poder trabalhá-los dia após dia, até que em um hoje que ainda não se fez presente sejam colhidos e saboreados. É a fé no futuro que me mantém no hoje. 

Não posso dizer que viverei como se não houvesse o amanhã. Para mim, isso é infundado. Essa crença me faria aproveitar melhor os momentos? Não sei dizer. É agoniante não se visualizar no mais. Tudo o que planeja não passa de um sonho que ao final do dia irá terminar. Tudo é ilusão e você já é nada. Já é fim

Viver como se houvesse amanhã não é ser jovem por tempo indeterminado e também não é exclusividade da juventude. Viver dessa maneira é ter vontade de continuar na vida. É acordar toda manhã sabendo que se está vivo e que há tempo. Um tempo que não se sabe, mas que se tem. Viver como se houvesse amanhã é ter um presente e um passado. Tenho dó quando alguém diz que vai viver como se o amanhã não existisse, penso: coitado, deve estar sem tempo. Sorte daqueles que tem o amanhã.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

O melhor da vida:

As pessoas, o vento bagunçando o cabelo, o sol queimando a pele, a chuva molhando o rosto, a lágrima, o riso, a saudade, o reencontro, amar, ser amado, dormir, sonhar, ser acordado, a alegria e a tristeza também, aprender, ensinar, sentir a terra nos pés, ter opções, duvidar, ter certeza, olhar o mar, jogar-se ao mar, enrrolar os dedos nos cabelos de alguém, ter os dedos de alguém enrrolados no seu cabelo, o toque, a partida, a volta, o abraço e a sensação de que há ar nos pulmões.

O pior da vida:

As pessoas, o vento bagunçando o cabelo, o sol queimando a pele, a chuva molhando o rosto, a lágrima, o riso, a saudade, o reencontro, amar, ser amado, dormir, sonhar, ser acordado, a alegria e a tristeza também, aprender, ensinar, sentir a terra nos pés, ter opções, duvidar, ter certeza, olhar o mar, jogar-se ao mar, enrrolar os dedos nos cabelos de alguém, ter os dedos de alguém enrrolados no seu cabelo, o toque, a partida, a volta, o abraço e a sensação de que há ar nos pumões.

 - Depende de como você tá. Depende do seu olhar. Depende de você.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Ele. *__*

Vendo a ti tão pequeno não tenho medo do futuro. Pelo contrário, sinto vontade de devorá-lo. Aspiro para que ele chegue e te faça grande. Faça a ti um homem bom. Um homem que carregue dentro de si esse pequenino que hoje cabe tão perfeito nos meus braços. 

Nesses teus passos desajeitados tenho vontade de correr pela estrada da vida. Seguir por ela e ver o que há no caminho. Sem temer as curvas, os buracos e os outros que não se importam com o nosso percuso. Carrego-me de forças e sou capaz de transpor os obstáculos mais enraizados dentro de mim. 

Esses teus olhos escuros iluminam minha alma. É magia. Quanto te vejo olhando para mim fixamente sinto que sou vista. Finalmente existo. Coloca-me no mundo. Teus olhos tãos cheios de energia me transbordam. 

Tua pele macia. O melhor travesseiro já inventado. Poderia passar o dia com a cabeça recostada ao teu corpinho. O cheiro sossegado me embriaga. Cheirinho de coisa boa. O odor que limpa os pulmões. Queria poder guardá-lo em um frasco. 

Não sei explicar esse amor. Não sei explicar o valor que tu tens. Parece mentira. Parece bobagem. Admito que não esperava algo assim. É loucura demais, mas vale a pena mergulhar dentro dela. Afogar-se nesse não sentido. Quando estais presente não há mais nada. Não importa mais nada. Suporto tudo. Enfrento tudo. Meu sobrinho. Meu encanto.

sábado, 22 de dezembro de 2012

A saída.

''E todos os dias serão piores enquanto eu continuar aqui, vivendo uma vida que não é minha.''
Tal frase ecoava nos seus ouvidos como um sino que marca a passagem do tempo. Ela acreditava no anúncio que as palavras faziam sobre a condição de sua alma, mas não era tão simples. Parava pra pensar um pouco mais e se fazia a pergunta: Qual vida será a minha? Se não é esta, qual é então? 
Não descobria nada passeando pelos pensamentos. Eles não possuem a resposta. Por um bom tempo, tempo incerto demais para ser dito seguramente, ficou procurando algo que confortasse suas dúvidas. Saia por aí em busca da vida que seria a dela. Aquela vida que é sua e que está implícita na frase.
Numa noite adormeceu docemente. Há muito tempo que não o fazia. No sono seu pensamento se desprendeu da razão que o guiava enquanto desperto e ela sonhou. Sonhou com uma sala e neste ambiente não estava só e ao mesmo tempo sim. Para onde olhava só via a si mesma. Ela era várias. Como se repentinamente fosse dividida e esses pedaços ganhassem vida. Seis. Seis garotas idênticas e diferentes distribuídas ao longo da sala. Susto. Medo. Estranheza. Familiaridade. Não havia nada ali que elas não conheciam. Eram elas. Era ela. 
"Como viver uma vida que satisfaça a todas?" Esse era o assunto. O tema da discussão. E elas se debatiam e lutavam para encontrar uma solução. Cada uma possuía algo de particular. O que era bom para uma servia de veneno para outra. Às vezes a maioria concordava, mas sempre tinha aquela que não estava satisfeita. E se todas não estivessem unidas não daria para continuar. Houveram brigas. Muitas brigas. Ameaças. Porém, nada foi decidido. "Por hoje encerramos".
Ela acordou sobressaltada. Com o ar escapando dos pulmões. Seu corpo doía como se tivesse sido repartido. Confusa. Passou o dia pensando sobre a noite e percebeu que não havia sido um mero sonho. Era uma tentativa desesperada de sua mente de resolver o dilema e ao mesmo tempo revelá-lo. Era por isso que nunca tinha conseguido encontrar a resposta. Dentro si havia vários "eus" e cada um com suas expectativas. Era esse o motivo de não encontrar uma vida que fosse sua, pois haviam tantas possibilidades e nenhuma contemplava todas. Ao anoitecer. Fechou os olhos e novamente sonhou a continuação da noite anterior.
Lá estavam. Lá estava. E recomeçaram a discussão. No calor do tema teve uma que gritou: "Desse jeito não dá para todas viverem". E os olhos saltaram e ficaram frios. Será? Será que essa é a saída? 
Acordou sem reação. Não tinha o que pensar. Sua mente estava em silêncio. Passou o dia passeando pelas horas. Até a noite chegar mais uma vez e o sonho retornar. 
"O que foi dito ontem não é algo a ser pensado". Estavam caladas. Cada uma com suas reflexões. E assim foi por vários dias. As vezes se tentava falar sobre alternativas, mas nada encontravam. E durante o dia as coisas foram ficando difíceis. Era doloroso continuar daquela maneira. Sem saber seu lugar. Sem sentir que vive. Estando sempre errada. Não dava mais. 
"Se apenas uma não pode viver e não podemos viver como uma, então poremos fim em todas. Essa é a forma de acabar com tudo o que nos pertuba". Algumas relutaram, tentaram debater, usaram diversos argumentos, mas nada bom o suficiente. Então, todas concordaram. Juntas, uma sufocando a outra. E no instante que o último suspiro foi lançado finalmente eram uma só.
 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

"Nas ondas verdes do mar"

Repentinamente me vi diante do mar. Senti no rosto o vento com cheiro de maresia que brota do horizonte e diante dos olhos o mar dançou pra mim. Nos seus passos vi o cotidiano, o dia-a-dia que nos faz esquecer que há vida dentro de nós e que iremos passar. Estamos passando. 

Na imensidão daquelas águas lembrei do quão pequeno é o tempo. Pequeno demais para nós. Pequeno demais para ti. Em mim o tempo passea. Brinca com meus anos e cansa os meus dias, pois ele corre depressa e não posso alcançá-lo. Quem é que pode? Tu não pôdes. Fosses engolida por ele. Iremos todos.

No movimento das ondas vi o mistério que nos envolve. A forma como ele balança, ligeramente muda seu curso e não consigo perceber esse momento. Descubrir o instante que as coisas se transformam, mudam de tal modo que não sabemos o ponto onde tudo aconteceu. Estamos em outro lugar sem ter ideia de como nossos passos nos levaram até lá. Até aqui. Estou agora. 

Eles se cruzam e depois se separam. É assim que somos nós. Foi assim que fomos nós. Em um minuto estávamos aqui a fazer planos e no outro estou eu a recolher retalhos dos sonhos que se chocaram nas pedras. Sim, ainda estou navegando. Meu navio continua a navegar. Ele é forte, tem medo demais para naufragar, mas o mar tem seus mistérios.

O céu que arde na terra.

Celeste nasceu em noite estrelada. Filha única de um casal maduro que já havia perdido a esperança de procriar. Celeste nasce como um milagr...