Vou ter saudade de que a qualquer momento poder pegar um ônibus e encontrar um abraço junto com um sorriso frouxo. Estar perto não é físico, mas quer saber? Isso não torna as coisas mais fáceis. Odeio quem inventou a distância que não pode ser superada com um pulo. Vou ter que aprender a abraçar o vento pensando em tu, logo tu que me ensinou que abraço é algo bom e que não faz mal permitir que as pessoas se aproximem. Vou ter que aprender muitas coisas...
Aqui se lê sobre tudo o que interessa a quem escreve. Tudo muda constantemente, inclusive as opiniões. Aqui se encontra uma escrita livre que se impulsiona pelo desejo de expressar-se. Sinta-se a vontade para questionar e criar. No dia a dia construo minhas ideias e elas diariamente me desconstroem. Nessa costura que faço na minha rotina compartilho com vocês os retalhos e que possam, assim, remendar seus seres.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Roberta t³
Vou ter saudade de que a qualquer momento poder pegar um ônibus e encontrar um abraço junto com um sorriso frouxo. Estar perto não é físico, mas quer saber? Isso não torna as coisas mais fáceis. Odeio quem inventou a distância que não pode ser superada com um pulo. Vou ter que aprender a abraçar o vento pensando em tu, logo tu que me ensinou que abraço é algo bom e que não faz mal permitir que as pessoas se aproximem. Vou ter que aprender muitas coisas...
sábado, 11 de janeiro de 2014
O começo - Caso Clínico fictício
(Em pensamentos...)
Cliente: - A primeira vez que entrei naquela sala não sabia o que poderia acontecer. Meus pensamentos estavam confusos e meus sentimentos reviravam a boca do estômago. Fui buscar ajuda, um apoio, uma resposta, algo que me tirasse aquela dor e solucionasse meus problemas.
Terapeuta: - A primeira vez que vi aquele cliente não sabia o que podia acontecer. Era alguém que parecia trazer nos ombros o peso do mundo. Olhar cabisbaixo e desesperado. Veio em busca de uma ajuda, queria que alguém lhe desse as respostas para seus questionamentos. Dei-lhe meus ouvidos e o aceitei na sua forma de ser singular.
Cliente: - Podia falar o que viesse a cabeça. Sentir qualquer sentimento que emanasse do meu corpo. Nunca pude me expressar verdadeiramente na vida, nos meus relacionamentos, comigo mesmo. Aqui, neste local, com este alguém que me escuta sem julgar-me, posso finalmente ser e isso dói.
Terapeuta: - Inicialmente é difícil para o cliente se abrir. É preciso que a confiança seja estabelecida e que ele se sinta acolhido no seu discurso. Com este não foi diferente e ao mesmo tempo foi. Ao aceitá-lo na sua particularidade possibilitei que ele pudesse se perceber e aceitar-se. Ele já trazia em si o crescimento apenas o ajudava a driblar e notar alguns obstáculos que estavam barrando o seu desenvolvimento.
Cliente: - É tão difícil se impor em um mundo repleto de armadilhas que tentam lhe aprisionar, dominar, domesticar como a um animal selvagem. São tantas batalhas para enfrentar que às vezes é mais fácil se deixar levar.
(Começa o diálogo entre ambos)
Cliente: - Estava pensando como é complicado ser você mesmo nesse mundo. Você num acha?
Terapeuta: - Sim, eu acho, mas e você? Sente dificuldade em ser você mesmo no mundo? Como é isso?
Cliente: - Sinto, parece que não sou aceito. Tenho que esconder minhas emoções para conviver com as pessoas. É estranho isso, né?
Terapeuta: - É estranho ter que esconder suas emoções para se relacionar com as pessoas? Como é ter que fazer isso?
Cliente: - Sim, não é normal. É ruim. Às vezes não sei muito bem o que estou sentindo. Tem horas que tenho raiva e vontade de explodir, mas não falo nada e fico me roendo por dentro. Ninguém quer saber realmente como você se sente. Tá cada um preocupado em fingir suas dores para si mesmo e pros outros. É tudo um jogo pra manter a cordialidade.
Terapeuta: - Eu quero saber como você realmente se sente e aqui não é necessário fingir suas dores, pois quero ouvi-lo e ajudá-lo a lidar com seus problemas. Você está dizendo que acha ruim ter que fingir ser alguém que não é para as outras pessoas e que às vezes não sabe o que está sentindo. E que tudo isso é um jogo para manter a harmonia. Qual a sua participação nesse jogo?
Cliente: - (Em pensamentos...) Como assim qual a minha participação? Eu sei lá. É cada uma! Às vezes ele faz umas perguntas que me dão raiva. Ele quer dizer que tenho alguma culpa nisso tudo? Eu sou uma vítima. Sou assim por que as pessoas são mesquinhas e falsas. Ele diz que quer me ouvir, mas não responde nada. Eu só quero saber o que fazer pra sair dessa situação. (Dialogando) Não sei. Estou apenas jogando por que todos jogam.
Terapeuta: - (Em pensamentos...) Notei que aquela resposta estava carregada de sentimentos que não foram trazidos à tona. A pergunta causou um desconforto nele, seu corpo se enrijeceu e suas sobrancelhas franziram, mas tudo ficou guardado. É difícil nos responsabilizarmos pelas consequências de nossas ações e perceber que somos autores de nossa história. É um caminho árduo, mas não tenho pressa.
sexta-feira, 10 de janeiro de 2014
A pior solidão é aquela que não te faz falta.
Solidão serena que chega e te toma.
Não te perturba.
Acalenta-te nas noites.
Alivia-te nos dias.
Solidão companheira que não chama atenção.
Solidão que não desespera.
A pior solidão é aquela que não dá vontade.
Solidão que dá paz.
Temo a solidão silenciosa do conforto de estar só.
Solidão serena que chega e te toma.
Não te perturba.
Acalenta-te nas noites.
Alivia-te nos dias.
Solidão companheira que não chama atenção.
Solidão que não desespera.
A pior solidão é aquela que não dá vontade.
Solidão que dá paz.
Temo a solidão silenciosa do conforto de estar só.
domingo, 29 de dezembro de 2013
Só rir. (Sorrir)
Observando meu sobrinho, Vinícius, de um ano e meio, notei que ele adora rir do nada. Sim, do nada. O nada o faz gargalhar alto. Às vezes fiquei procurando algo que tivesse arrancado o riso da sua alma, mas nada estava lá. Era lindo de se assistir. Pensei que como era bom rir do nada.
Depois vi que meu sobrinho também gostava de rir do simples. Um barulho de câmera fotográfica foi motivo suficiente para soltar risadas ao vento. Houve também o riso pelos sopros que focalizei na sua barriga e axila, além do meu olhar de reclamação cúmplice e jocoso. Meu sobrinho adorou rir das coisas mais banais que podiam ocorrer num dia comum.
Como é bom poder rir simplesmente por que é bom se rir. Rir sem precisar explicar o motivo do riso e que esse motivo seja respeitável. Rir por rir. Meu sobrinho me ajudou a (re)ver que na vida não é preciso grandes acontecimentos para despertar a vontade de sorrir e se renovar a cada risada. A vida faz graça quando estamos disponíveis a se agraciar. O riso está em si, e não nas coisas. Não importa o que for quem faz algo ser engraçado ou não, somos nós. Meu sobrinho não precisa do aval de ninguém para gargalhar, não há nada que lhe diga o que é engraçado ou não, ele rir por que rir e como é bom sentir e participar dessa experiência.
domingo, 15 de dezembro de 2013
"Há homens que vivem como se viver fosse a coisa mais natural do mundo.": A neurose e as implicações de ser um Ser vivo.
Muitos teóricos da psicologia falam do neurótico como aquele sujeito que se encontra aprisionado ao passado. Relatam as consequências desse aprisionamento e expõem em seus argumentos o quanto a existência fica empobrecida e estagnada nesses casos. A saúde para as abordagens psicológicas, e destaco aqui a Gestalt-terapia, significa fluidez nas atitudes e maturidade para enfrentar as frustrações ao longo da vida ao invés de negá-las. O homem saudável é aquele que se apropria de sua história com consciência de sua liberdade e responsabilidade pelas consequências de suas escolhas. Não se engessa em modelos predeterminados para seguir sua vida, renova-se à medida que as experiências do cotidiano lhe requisitem algo de inovador. Guia-se pelos seus desejos e respeita os limites da realização dos mesmos, pois não há como viver em comunidade sem que parte de suas vontades sejam refreadas e ponderadas. O neurótico ao se fixar em experiências passadas e ao buscar traçar sua vida pautado em deveres externos e não em desejos pessoais transforma sua existência numa sucessiva fuga de ser dono e autor de sua própria história.
Por diversos motivos que não irei descrever aqui um homem se torna neurótico. Preciso ressaltar que essa foi a melhor maneira que ele encontrou para sobreviver no mundo e nas relações que encontrou ao longo de seus dias. A necessidade de sobrevivência, para Perls, age como força propulsora para todos os seres vivos, assim a psicologia não pretende julgar o modo de vida do sujeito, mas procura compreender as redes de sentido que permeiam a forma como cada um se coloca diante de si, do outro e do mundo. Pensando nisso questiono o significado que possa ter viver no passado, manter-se cativo a experiências ultrapassadas, remoer sentimentos falidos, relembrar situações incorrigíveis, perder a capacidade de lidar com as situações no presente. Esse último ponto é a chave, dentro da Gestalt-terapia, para uma existência saudável. A vida acontece no aqui e agora, no presente, no hoje, e isso significa que necessitamos estar conscientes do que fazemos, do que sentimos e pensamos no hoje. Passado e futuro existem enquanto houver presente, pois se não há presente não há vida. O presente comporta tudo e nele que a história de cada um pode ser escrita e reinventada.
(Foto: https://www.facebook.com/jonasaraujofotografia)
No livro, Bom dia, Angústia!, Comte-Sponville ressalta no capítulo O gosto de viver as delícias da vida e o quanto vale a pena vivê-la e, para isso faz questão de destacar os desgostos que encontramos no percurso e como o sofrimento é parte inseparável da existência. Não há como viver sem passar por situações que causem decepções e frustrações. Viver implica sofrer. Ao pensar nisso questiono o quanto é mais seguro para os sujeitos neuróticos se esconderem no passado, pois o presente significa vida e vida está intimamente ligada com a possibilidade iminente de frustrar-se. Permanecer sofrendo por questões passadas protege o indivíduo de
implicar-se no agora e lidar com as consequências de suas ações no hoje, e não de modo imaginário do que poderia ter sido feito. Dedicar-se ao presente significa arriscar-se a escolher entre as diversas possibilidades e colher os frutos dessas escolhas, que nem sempre são satisfatórios. No presente a vida corre, no passado ela descansa imune. Não há riscos no passado. O passado é aquilo que ele é, está parado. O presente é movimento e movimento significa possibilidade de quedas. No passado a vida está morta, é lembrança, no presente é acontecimento em contínuo processo de acontecer.
O neurótico refugia-se no passado, pois teme a vida. E por que não temê-la? Dá medo mesmo se perceber passando, notar o quanto cabe a si mesmo seus sucessos e fracassos. As lembranças, por mais difíceis que sejam, são mais seguras, pois não permitem mudanças. Mudança significa risco. Não é fácil arriscar-se quando nosso tempo é incerto e a cada dia que vivemos é menos um para se viver.
O passado é a zona de segurança do sujeito humano, as experiências passadas fundamentam nosso ser, dão contorno ao nosso eu, o acúmulo de vivências compõe nossa identidade, somos tudo aquilo que conseguimos lembrar. O presente se coloca como fazer, como construção, como abertura. No presente me faço ser. E agora paro para pensar, do que falar do futuro? Esse tempo existencial é fundamental para o humano. O que mantêm o homem na caminhada do presente é a vontade de um futuro, no entanto, pensar em demasiado no que virá também é uma forma de fuga da vida enquanto acontecimento presente, pois nos coloca numa dimensão imensurável. O futuro nada mais é do que fantasia e fixar-se nele é perder de vista a realidade, contudo, não pretendo me estender nesse ponto agora.
Questiono nesse momento o que pode levar um homem a se torna neurótico, e ao lembrar as palavras de Perls que diz que todo ser humano é guiado pela necessidade de sobrevivência, penso que é a própria vida que neurotiza o sujeito. Quero dizer que talvez, alguns seres humanos se amedrontam de tal forma diante da imensidão da existência e de tudo o que ela significa que não suportam e, para sobreviver buscam fugir da própria vida. Sêneca afirma que alguns homens morrem sem nem mesmo terem conhecido a vida, e agora digo que talvez essa tenha sido a intenção de alguns.
(Foto: https://www.facebook.com/fotografiacayoce)
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