segunda-feira, 27 de junho de 2011

Constatações.

Enfim ele voltou, porém nunca mais estaria de volta. Ele não tinha percebido, mas havia partido há muito mais tempo do quê quando levou seus pés para outro lugar.

A distância que se estabelece entre as pessoas não pode ser contada por quilômetros. Não há medida matemática capaz de realizar tal cálculo.

Ele jamais voltaria para o lugar de onde nunca deveria ter saído. O abismo que se abriu entre nós não permitiria que nossos olhares se entrelaçassem como antigamente.

Ele agora era apenas corpo e o corpo é apenas peso. É presença sem sentido, sem sentimento. Palavras jogadas ao vento sem pretensão de serem ouvidas ou entendidas. A ausência ganhou vida.

Não havíamos percebido, mas ele não é mais o era. Agora ele é o que não somos. Não faz mais parte do nós. Seu espaço está vazio. Já estava. Sempre estará.

Desconstrução do óbvio

Mentir: 1. Afirmar aquilo que se sabe ser falso ou negar o que se sabe ser verdadeiro. 2. Enganar, iludir, ludibriar. 3. Falhar, faltar, fracassar. 4. Deixar de ser legítimo; degenerar.

Viver: 1. Ter vida ou existência, existir. 2. Durar, perdurar, subsistir. 3. Comportar-se em vida. 4. Aproveitar a vida. 5. Habitar, residir, morar.
v.t 1. Alimentar-se, sustentar-se de. 2. Obter a subsistência exclusiva ou principalmente de. 3. Entreter relações, ser amasiado com.



Mentir: Ter vida ou existência, existir. 2. Durar, perdurar, subsistir. 3. Comportar-se em vida. 4. Aproveitar a vida. 5. Habitar, residir, morar.
v.t 1. Alimentar-se, sustentar-se de. 2. Obter a subsistência exclusiva ou principalmente de. 3. Entreter relações, ser amasiado com.

Viver: 1. Afirmar aquilo que se sabe ser falso ou negar o que se sabe ser verdadeiro. 2. Enganar, iludir, ludibriar. 3. Falhar, faltar, fracassar. 4. Deixar de ser legítimo; degenerar.



sábado, 18 de junho de 2011

E lá se vai.


Fico em silêncio buscando encontrar algum sentido, mas não encontro nenhum. Não é justo, não pode ser verdade, você disse que sempre estaria aqui, e agora vai embora seguir seu caminho. Que caminho pode ser esse que te leva para longe de nós?

Não dá para entender. A única escolha que tenho é me esconder atrás de um discurso coerente e da mascará da serenidade, porém não é verdade, não é sincero. Realmente, não entendo.

A cada passo que dás é mais uma distância que se estabelece entre nós. Você está seguindo a trilha ao contrário, e eu tenho medo de chegar o dia em que a saudade se torne apenas uma lembrança. O mais difícil é perceber que não há nada a ser feito. Você é livre e essa liberdade te chama.

Permanecerei aqui presenciando teu voo e aguardo loucamente o momento que voltarás para o nosso aeroporto.

Estar perto não é físico.



segunda-feira, 13 de junho de 2011

Medidas desesperadas.

Faz oito anos que convivo com uma forte dor no estômago. Já fiz tratamento mas nada adiantou, acredito que na verdade piorou. Porém, desenvolvi uma técnica muito engraçada, mas que me ajuda nos momentos de fortes crises. Não sei bem aonde vi, mas eu vi e tenho certeza disso, que o nosso corpo não pode sentir duas dores ao mesmo tempo. Então, quando a dor aperta provoco em mim outros tipos de dores: enfio a unha na minha mão, entorto meus dedos até eles ficarem roxos e doloridos e todo tipo de auto tortura que me vier a cabeça no momento. E num é que funciona? Quando me concentro na dor auto infligida a do estômago perde seu efeito e me sinto melhor.

Acredito que a nossa mente tenha o mesmo mecanismo em algumas ocasiões. Quando nos deparamos com uma angústia tão grande que chega a ser impensada, uma ansiedade inimaginável, um sentimento dilacerador, nossa mente para se proteger, cria uma nova dor com o intuito de focar nossa atenção nela e nos fazer esquecer daquela que causou todo esse movimento. Então, passamos a sentir essa agonia que para nós, muitas vezes, não tem sentido, por que na verdade ela é apenas uma superfície que nada diz sobre a verdade do nosso sofrimento. A situação em que a nossa mente nos coloca nessas circunstâncias é bastante difícil e fonte de uma grande tristeza, ansiedade e frustração, porém o que não sabemos é que ela nos mantêm firme e que seria muito pior vivenciar a dor primária. Essa maneira de lidar é uma medida desesperada que não satisfaz, mas é o que está mantendo teus pés no chão.

Assim, somos desviados de nossos verdadeiros sentimentos e ficamos diante de uma ilusão dolorida. Milhares de perguntas são feitas, mas não conseguimos encontrar as respostas, por que geralmente estamos a procurando no lugar errado. Esperamos que aquela emoção sentida seja a tradutora de todos os nossos questionamentos, contudo, ás vezes é na dor sufocada, é no sentimento silenciado que estão todos os esclarecimentos para as nossas dúvidas.

No entanto não é fácil nos depararmos com essa verdade, afinal de contas ela não é encoberta por qualquer motivo. Ela carrega em si o veneno e o antídoto para o nosso sofrer e é preciso uma força imensa para encará-la face a face e abraçá-la de maneira tão forte que ela nunca mais volte para a obscuridade. É necessário manter as pernas firmes para não se deixar derrubar e os braços fortes segurando com toda sua força, caso contrário é bem possível que você seja ultrapassado ou consumido por ela.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Não vá ainda.

Percebo que chegamos no momento em que nossas vidas estão tão misturadas que fica difícil de imaginar ser possível ter ar do lado de fora. Seu jeito e meus hábitos não são mais tão diferentes. E aquilo que era apenas seu tornou-se nosso. No contorno do meu corpo há o seu desenho. Nos seus olhos minha imagem se faz fotografia. Teu riso virou meu raio de sol e suas lágrimas são meus dias de tempestade. Em você pedaços de mim ganham vida. Nossa voz tem agora o mesmo tom. Meu silêncio se transformou no pôr do sol. Então, não me culpe se eu não souber mais como viver lá fora, pois não posso liberar-me de mim mesma. Não sei mais como separar nossas partes para sair inteira. Minha identidade será esfacelada quando tiver que dizer adeus. Não é a hora. Não vá ainda.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Prisão sem grades

Chegou a hora. A luz atravessou a parede e tudo ficou escuro. Todos correm para os seus lugares. Um breve aquecimento para não haver erros. O cenário é verificado, está perfeito, nada pode estar fora do seu devido lugar. Esqueça tudo que você estava fazendo, é preciso se apagar e deixar surgir aquele que te faz ficar firme. Uma fina camada entre você e o mundo se estende, mas ao contrário do que parece essa cortina não é de lã, e sim de ferro. Assim, você assisti a tudo de um lugar que ninguém possa te ver ou atingir. Você está protegido dentro de si mesmo. Olhando a tudo como a um espetáculo do qual não faz parte. Contudo, o tempo vai passando e aquele lugar que te protegia começa a sufocar. E por mais que se tente sair, que se tente voltar pro palco o muro que inicialmente foi construído com o intuito de te defender, aprisiona-te em ti, e então, você é forçado a ver um estranho vivendo sua vida, enquanto estais perdido dentro de tuas vísceras corroendo-se internamente sem ninguém notar.

domingo, 1 de maio de 2011

A chapeuzinho também é o lobo mau.

Estou lendo o livro 3096 dias de Natasha Kampusch e admito que fico impressionada com sua história e com o seu poder de reflexão.

Temos a tendência em separar o bem do mal acreditando que assim estaremos a salvo de surpresas desagradáveis. Estamos errados. A vida nos mostra que não é possível fazer essa distinção quando se trata do ser humano. Há em nós a chapeuzinho vermelho e o lobo mau convivendo em harmonia. O grande problema não é ter essas duas faces, e sim, ter que escolher entre uma delas para poder viver em sociedade. O mundo nos força a escolher somente uma. E é ai que as coisas ficam complicadas, pois nunca conseguiremos destruir o lado indesejado. Ele sempre existirá e nos influenciará ao longo de nossa vida. Querer enxergar o indivíduo por apenas um ângulo é não contemplá-lo em toda sua possibilidade.

Muitas vezes dissociamos o bem do mal na tentativa de nos protegermos, mas acabamos nos fragilizando. Já que é impossível enquadrar alguém em um papel e garantir que ele o exercerá sem falhas. Iremos nos surpreender e se não aceitarmos a ambivalência humana nossos relacionamentos ficarão empobrecidos e consequentemente, nossas vidas.

Além do mais, é de suma importância que saibamos enxergar em nós esse jogo de forças opostas que garantem o equilíbrio da mente. Viver esses dois lados é experimentar o que é ser humano. Abafar um deles pode implicar, mais tarde, em um transbordamento de sentimentos reprimidos que não se consegue controlar. Talvez, seja essa a causa de grandes tragédias.

Percebe-se que nossa sociedade tem a tendência de separar o mal do bem. Para os indivíduos marginalizados é colocado o papel de serem o espelho mal e quanto aos sujeitos bem sucedidos fica a qualidade de refletores do bem. O ideal cultural do ocidente nos impele a atingir um nível de consumo que fica difícil distinguir, em algumas circunstâncias, o que é homem e o que é mercadoria. Pintar o mundo em preto e branco fica mais fácil do quê aceitar que na verdade ele é preenchido por tons de cinza. É bom sustentar a ilusão de controle e normalidade.

Para garantir essa separação são construídos conjuntos habitacionais cada vez maiores, completos e seguros, os vidros dos carros não precisam ser mais abertos para a circulação do ar, se você quiser nem precisa ser mais visto dentro do automóvel, também são montados complexos comerciais diferenciados para aqueles que possuem melhor condição financeira, diversas áreas de lazer com público selecionado e etc. Cada vez mais separamos de nosso cotidiano o mal, o desagradável, a pobreza, a miséria. Isso não faz parte do nosso dia-a-dia a não ser em um programa de televisão que os use como parte de um show ajudando a aumentar cada vez mais as fronteiras.

A grande questão é que jamais poderemos apagar o lado podre da vida, por que ele é fundamental na manutenção da sociedade. Ele dá sentido ao lado belo da existência. Temos que aprender que o mal não está fora de nós, ele vem de dentro. E sempre tem dois lados de uma mesma moeda. Compreender que o homem não é fundamentalmente bom, e nem, inexplicavelmente mau, faz parte da mais difícil lição da humanidade. Fazer essa dicotomia tira do sujeito a liberdade de ser infinito, de acordo, com as possibilidades que lhe são apresentadas.

O céu que arde na terra.

Celeste nasceu em noite estrelada. Filha única de um casal maduro que já havia perdido a esperança de procriar. Celeste nasce como um milagr...