Tem dias que me acordo sedenta.
Simplesmente acordo como uma pedinte faminta.
Eu quero a vida.
Sinto meu peito abrir-se.
Projetar-se para fora.
Eu quero a vida.
Uma força surge no meio do meu ser.
Uma energia que pede para ser explorada.
É forte. Intensa. Grande.
Não cabe em mim.
Nesse instante danço.
Aqui se lê sobre tudo o que interessa a quem escreve. Tudo muda constantemente, inclusive as opiniões. Aqui se encontra uma escrita livre que se impulsiona pelo desejo de expressar-se. Sinta-se a vontade para questionar e criar. No dia a dia construo minhas ideias e elas diariamente me desconstroem. Nessa costura que faço na minha rotina compartilho com vocês os retalhos e que possam, assim, remendar seus seres.
sábado, 16 de dezembro de 2017
quinta-feira, 30 de novembro de 2017
Meu livro já não é mais meu.
Quando comecei a pensar no processo de produção do livro eu não achei que fosse possível tê-lo. Desconfiei. Insegurança!
Escrevo desde cedo. Tenho muito material espalhado entre cadernos e redes sociais. Durante muito tempo escondi o que produzia e não divulgava meus textos.
No meio desses retalhos de textos e poesias não quis que a escolha do material para o livro fosse um fardo e algo cansativo, então procurei aquelas que estavam mais perto de mim. Não entrei a fundo num processo de pesquisa de tudo que tenho produzido. Com o tempo, veio bastante dúvida, receio e medo. Pensamentos como "Caramba, eu devia ter inserido aquela poesia" ou "Poxa, não era pra ter colocado essa". Decidir o material, a ordem, a forma, o modelo, tudo isso foi de uma maneira bem espontânea e sem grandes pretensões. Não havia na minha cabeça nenhuma estratégia ou construção bem delineada. Na verdade, sinto falta de alguns textos. Enfim, tudo ficou pronto. E nossa, essa porra é possível! Perdoem o palavrão.
Ok! Agora é hora dele ser compartilhado. E é quando a magia começa a acontecer de fato. Meu livro não é mais meu. Ele se transforma e ganha diversos sentidos a cada nova leitura. Descubro que a cada leitor tenho um novo livro. Perceber que cada pessoa reconhece de uma forma única e singular o que ali está escrito, é magnífico. Nesse momento eu vejo que quando lançamos algo pro mundo essa coisa é transformada a cada encontro.
Isso me faz pensar sobre comunicação. Sobre o quanto nós podemos até saber o que falamos, mas não controlamos e dominamos o quê e como o outro vai escutar. Esse processo é sempre uma surpresa e uma construção. E o mais legal é que os sentidos que estão sendo dados sobre o que vem sendo lido vem me fazendo reler minhas próprias poesias por outras perspectivas. Vê que viagem louca!
Estou adorando os questionamentos. Estou adorando os " Oh, Crispim, tu escreveu isso pensando nisso foi? Tu sabe que lembra muito tal coisa né? Tu já experimentou ler ela desse jeito?
Ai que delícia. Melhor do que escrever um livro é saber como ele está sendo lido.
P.S.: Adorarei saber a opinião de cada um sobre o que leu e os significados percebidos em cada poesia. Dividam comigo, tá?
Caso vocês desejem um exemplar do meu livro é só entrar em contato pelo e-mail: andrezacrispim2@gmail.com que encontramos uma solução.
terça-feira, 7 de novembro de 2017
Carta para meu/minha cliente.
Caro(a) cliente,
Quero admitir que nossa relação nem sempre será fácil. Iniciamos com muitas expectativas e a principal delas se resumi aos sentimentos de acolhimento, cuidado e confiança. Esse tripé constituí a nossa relação e é o que se espera que se baseie um processo psicoterapêutico. Sim, esse tripé é fundamental.
Nosso início é delicado. Você não me conhece. Eu também não faço idéia de quem és, porém, você está aqui diante de mim compartilhando sua história com a esperança de que isso seja transformador. E acredito que será. Após um tempo percebemos que nosso relacionamento está mais leve. Sem tantos receios e desconfianças. Ambos estamos mais confortáveis aqui. Há entre nós acolhimento, cuidado e confiança.
E é exatamente por acreditar nesse tripé que construímos e que estamos, constantemente, fortalecendo que lhe reafirmo: nossa relação nem sempre será fácil. Eu direi coisas que vão lhe machucar. E confesso, às vezes, vai doer em mim também. Porém, tais coisas serão essenciais, acredito eu, para o trabalho que VOCÊ se propôs da autodescoberta e do desvelamento da sua verdade interna. Eu não pretendo lhe poupar.
Quero deixar algo claro: eu NÃO trabalho PARA você. Eu trabalho COM você. Isso demarcará a nossa relação. Eu não lhe sirvo. Eu não lhe obedeço. Eu lhe ACOMPANHO no seu processo de autoconhecimento e minha função é facilitar e cuidar do processo e da forma como lida com ele. Então, em alguns momentos, serei dura com você. Não será gratuitamente, eu garanto! Procuro ser honesta quando você recorre a mentiras. E isso, geralmente, é um saco. Eu sei, mas me preocupo com a sua autenticidade.
Assim, quando você finge, revelo. Quando esconde, encontro. Quando foge, aponto. Quando você fala, escuto. Quando cala, eu falo. Quando escurece, acendo. Quando segura o choro, exponho. Quando sufoca a raiva, a ressalto. Quando debocha, fico séria. Quando evita, atraio.
Irritante né? Eu sei. Dói. Eu sei. Não vou lhe pedir desculpas por isso. Faz-se necessário para crescer. Estou bem aqui para ser honesta com você e ajudá-lo(a) a ser consigo mesmo. Eu lhe respeito e tento a todo custo cuidar para que também se respeite. Eu lhe vejo como sujeito capaz, livre e potente. Não vou lhe subjugar. Não vou diminuí-lo(a). Olho para a saúde e considero que a verdade liberta, apesar de suas inconveniências. Acredite, considero seus limites. Procuro seguir seu ritmo, seu tempo, seu momento. Ficarei atenta para não extrapolar sua capacidade de perceber e lidar com as coisas, no entanto, haverá circunstâncias em que vou apertar esperando que se supere. E em algumas situações você vai. Nesse ponto reafirmamos nosso laço.
Nossa relação é pautada no acolhimento, cuidado e confiança. Estou aqui com você. Sou presente. Disponível. Apoio. Confie. Você vai me odiar em alguns momentos. Só quero lhe dizer que entendo. Espero que isso lhe faça bem.
Atenciosamente,
Sua psicoterapeuta.
quinta-feira, 7 de setembro de 2017
Sim, eu tenho um livro.

Todos nós temos sonhos íntimos. Sonhos que aparecem na mais tenra idade e vai nos acompanhando na nossa história. Todos nós também temos aqueles (ou aquele) sonhos que sentimos que são apenas sonhos. Às vezes, nem temos a grande ambição de torná-los realidade. Eu tive o meu, como eu acredito que todo mundo o tenha. Desde pequena gostei de escrever. Desde que me entendo por gente (e olhe que foi cedo esse processo) uso a escrita como refúgio e expressão. Escrever era meu segredo, minha privacidade, meu íntimo. Na medida que fui crescendo fui tornando público esse meu relacionamento com as palavras, porém ainda de maneira tímida e cuidadosa. Guardava dentro de mim minhas fantasias, expectativas e aspirações de quem sabe um dia, um livro. E, a vida como sempre surpreendente, me dá a oportunidade de concretizar esse desejo.
PUTA QUE PARIU! Eu publiquei um livro. Perdoe-me os mais puritanos, mas tem sentimentos que só se expressam através de um palavrão e PUTA QUE PARIU é a maneira mais autêntica que tenho nesse momento pra comunicar que, UAU! Publiquei um livro.
Um livro de poesia. Logo ela que me salva de mim mesma e traduz o mundo pra mim. Logo ela que é terreno de afeto e dúvida. Logo ela que é tão magnífica. Sim, poesia. Com um título polêmico (Como disse meu amigo), Não Leio Poesia veio para massagear meu coração. São 100 páginas de simplicidade, bobagens e obviedades. São 100 páginas que transmitem um pouco do que penso, sinto e vivo. O que desejo agora é que de alguma forma essa obra possa tocar o outro. Que de alguma maneira alguém possa ver sentido no lido e ser encantado. Poesia é emoção. Que o livro (O meu!) possa emocionar.
Aqui está o link onde você pode ver esse projeto: http://editora.leoescrev e.com.br/2017/08/nao-leio-poes ia-sinopse-em-seu-livro-de. html e caso você deseje o exemplar impresso entra em contato comigo pelo e-mail andrezacrispim2@gmail.com que a gente resolve isso.
Gratidão, esse é o sentimento. Obrigada!
quarta-feira, 5 de julho de 2017
Sobre o nascer. Sobre partir.
Ao ato do nascimento dão o nome de parto, pois desde o momento em que nascemos somos partida. Partimos do ventre de nossa mãe e a partir dali estamos em constantes despedidas. Sempre em frente. Sempre adiante. Somos parto e não há como evitar. Para nascermos temos que partir.
O ato de nascer se configura com a nossa saída de um ambiente confortável e seguro para um novo espaço repleto de desafios. Vejo agora que nascer, viver e crescer se faz com constantes despedidas dos nossos pais. É um novo parto/nascimento quando saímos de seu teto, quando casamos e vamos formar a própria família, quando trabalhamos e vamos pagar nossas próprias dividas, quando temos nossos próprios filhos e vamos nos descobrir pais e mães. A cada fase de nossa vida há um novo reencontro com essas figuras. A medida que a criança cresce ela vai descobrindo novos pais. Hoje, enquanto mulher adulta, independente financeiramente e que não habita o lar materno, tenho a oportunidade de descobrir uma nova mãe para mim. E essa nova descoberta se deu graças ao meu parto e consequentemente ao meu nascimento como mulher e não mais como adolescente.
Nascer é partir. Viver é partir. É comum usarmos a expressão diante da morte: Ele(a) descansou. Talvez, nesse instante, a gente reconheça que a vida é constante movimento e, em certa medida, cansativa, pois estamos sempre partindo. Na morte há o descanso. Há a chegada. Na vida existe a constante inquietação para seguirmos, para continuarmos, para partirmos. O ser humano não se contenta e não se conforma com a quietude de se estar onde se estar, pois constrói sua história em cima de partidas. Nós nascemos para partir e é nesse movimento de ida que a gente se fundamenta. Que possamos aceitar as nossas partidas em sentido para novos (re)nascimentos.
Andreza Crispim
Psicóloga CRP 02/17314
Psicomotricista relacional
@psicoterapiafalemais
sexta-feira, 30 de junho de 2017
No silêncio da tua face. Na covardia do meu coração.
Quando vejo seu rosto descansado percebo nas linhas dos seus olhos a expressão de dor. Existe um certo sofrimento nas suas sobrancelhas. Meus olhos se enchem de lágrimas por imaginarem o que habita dentro do teu coração. Queria poder te colocar no colo e aliviar essa tristeza que noto na tua face. Queria poder cantar aos teus ouvidos sentimentos bons que pudessem amortecer essa angústia que pressinto na tua alma. Porém, fico apenas aqui te observando do sofá, fazendo poesia e pedindo a Deus pra que quem sabe algum dia essa agonia seja amenizada e que eu possa olhar pro teu rosto e ver uma ponta de serenidade. Aprendi a acreditar em milagres graças a sua fé. E é acreditando nessa sua fé que rogo pra que ela seja forte o suficiente pra Deus lhe dá atenção nos seus murmúrios. Por enquanto, mantenho meu silêncio e aqueço meu coração esperando que de alguma forma esse acalento chegue a ti.
quarta-feira, 14 de junho de 2017
Sentimento bom é aquele que a gente coloca pro mundo.
Vou desabafar uma ideia com vocês: sentimento pra completar uma transformação ele precisa ser expresso. Sim, porque o sentimento chega propondo uma transformação. E isso é com todo sentimento, seja a alegria, a tristeza, a raiva, o nojo, o orgulho, a vaidade, a paixão, a compaixão ... nenhum sentimento chega pra manter as coisas como estão. Ele vem sugerindo algo sobre o que está sendo vivido e para que ele complete seu ciclo ele precisa de expressão.
Pensa nisso: quando você sente uma alegria e não conta pra ngm e nem a comemora, o que acontece? Parece que a alegre se emudece. Perde força. Fica sem graça, num é? E quando a gente divide ela com alguém ou sai saltitando e batendo palmas pra si mesmo o corpo ganha energia. Fortalece-se. O mundo brilha. Você acende e se torna mais vívido, mais ousado, mais atraente e interessante.
Isso também ocorre com a tristeza. Quando solitária ela se torna peso, amortece, enfraquece, sufoca, isola. Quando compartilhada vira cachoeira, dilui-se, pode atrair apoio, possibilitar carinhos, enxergar possibilidades...
Somente na relação com outros e na expressão de nós mesmos conseguimos encontrar sentido pras experiências de nossa vida. Nossos afetos precisam encontrar espaço pra eles poderem ser, aparecer, causar e realizar mudanças. Não é fácil. Porém, existe um mundo de possibilidades e você pode até se surpreender ao notar que existem pessoas que não irão lhe rejeitar com isso, na verdade, você poderá receber um acolhimento que jamais experimentaria se continuasse a viver escondendo, negando e sufocando a honestidade de suas emoções.
Que cada um de nós possa ter alguém pra que com ele/ela sejamos fiéis e honestos com nós mesmos.
Foto: Thyeri Bione
Assinar:
Postagens (Atom)
O céu que arde na terra.
Celeste nasceu em noite estrelada. Filha única de um casal maduro que já havia perdido a esperança de procriar. Celeste nasce como um milagr...
-
Há algo de mágico em despojar-se no chão. Eu diria até sagrado. Você já tentou? Aqui embaixo eu faço as pazes com a minha insignificância e...
-
Celeste nasceu em noite estrelada. Filha única de um casal maduro que já havia perdido a esperança de procriar. Celeste nasce como um milagr...
-
No meio do caminho havia um sonho. Havia um sonho no meio do caminho. Acorda pela manhã carregando no peito certa ternura e rememora a cena ...


