domingo, 2 de abril de 2017

Sobre ansiedade ...

A ansiedade me aponta para o futuro e seus riscos. A ansiedade me aponta para o futuro e meus receios. A ansiedade revela meus desejos e meus medos. Temo a ansiedade quando ela tenta me impedir de tentar e , de repente, me percebo aprisionado nas diversas possibilidades de fracasso e não consigo enxergar que há também chances diversas de sucesso. Fico estressado quando a ansiedade me faz esquecer do quanto eu sou capaz de lidar com as adversidades. Futuro não é certeza. Futuro não está pronto. Eu posso construir. Na verdade estou em reforma o tempo todo. Fico triste quando não noto o quanto a vida segue em frente inevitavelmente e que eu posso, estou e vou caminhar sobre ela, pois não posso, não estou e não vou ficar parado. Eu ando e andei sobre minha vida. Fiz algumas escolhas que me levaram por caminhos tortuosos, as vezes por perder de vista o meu desejo ou porque simplesmente não dá pra saber exatamente onde nossas escolhas vão nos levar. A vida é desdobramento e uma grande dose de surpresa. Fico chateado quando tento de todas as maneiras prever e controlar as circunstâncias da minha existência. Gasto tanta energia fingindo ter o controle das incertezas do futuro. Acabo exausto e deito na cama assustado com as milhares de coisas que fantasiei, e que pior, acredito nelas como se fossem reais.

Ai, a ansiedade tira o meu sossego. Saio do centro. Se eu pudesse aceitar que o futuro ainda não existe e acreditar na minha capacidade de sobreviver aos infortúnios imprevisíveis, talvez assim, a ansiedade pudesse ser uma boa conselheira e não o meu carrasco.

Andreza Crispim
Psicóloga CRP 02/17314
Psicomotricista Relacional
@psicoterapiafalemais

A psicologia e seus instrumentos de trabalho.

Os instrumentos de trabalho dx psicólogx são as coisas que mais temos dificuldades em olhar. Elx trabalha com nossos medos, receios e inseguranças. Observa nossas tristezas, magoas e decepções. Utiliza nossas frustrações para entendermos as imperfeições e prosseguirmos adiante apesar de tudo. Escuta nossos silêncios, interrupções e impedimentos. Fica atentx para a falta, pois sabe que por detrás dela existe um desejo. Acolhe a indignação, a raiva e a culpa. Cumprimenta a vergonha e a pede para se expor. Aceita a fantasia e a mentira, mas deixa claro o papel de cada uma. Abraça a inveja e o orgulho. Dignifica o fracasso. É paciente com a ansiedade. Respeita a fraqueza. Compreende o inexplicável. Sabe que a vida é o todo. Acredita na poesia da rotina. E após dar espaço ao que rejeitamos ampliamos nossas potencialidades. Psicólogx trabalha com qualidade de vida. Uma vida inteira, integrada e autentica. Uma vida repleta de possibilidades.

Andreza Crispim
Psicóloga CRP 02/17314
Psicomotricista relacional
@psicoterapiafalemais

segunda-feira, 6 de março de 2017

O silêncio na terapia

As pessoas pensam que terapia se passa pelo o que elas falam. Ah, não. Não mesmo. Terapia se passa pelo o que elas calam. São os nossos silêncios, na maioria das vezes, que apontam a direção dos nossos afetos e dos nossos entraves. É quando calo que o sentimento surge e pondera. A palavra vem pra calar um afeto. Por isso, importante falar sobre aquilo que nos silencia. Por isso, ir a terapia é tão difícil, porque não vamos falar do que falamos por aí, vamos falar dos nossos silêncios. E isso, é assustador. Mas garanto que haverão muitas revelações e sairemos mais despertos.

Andreza Crispim
Psicóloga CRP 02/17314
Psicomotricista relacional
@psicoterapiafalemais

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo.

As vezes me pergunto: Por que escrevo?
Por que insisto na palavra? No papel?

Escrever é meu templo.
Aqui faço minhas orações e encontro com Deus.
Na beleza das linhas rezo meu Espírito Santo.
Admito minhas saudades e descubro o amor.
Expulso meus demônios.
Perdoo meus pecados.
Confesso minhas falhas.
Faço as pazes com o desengano.
Realizo milagres.
Recebo redenção.

Na escrita dignifico minha humanidade.
Viro benção.
Sou divina a cada ponto final.

Amém!

Quereres.

- Meu irmão, o quê que você quer? Perguntou-me ele.

Eu quero ter coragem de ir sempre que me for necessário partir. Quero não ter medo de perder o rumo. Quero não precisar do seguro e largar mão do estável. Quero ter coragem para saltar no incerto e criar do nada algo novo. Meu irmão, eu quero acreditar que posso desistir pra recomeçar. Confiar que posso. Quero cortar o caminho.

- Como é que é?

Sei lá! Tô só viajando.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Sobre psicologia e poesia…

Sou psicóloga e admito, meus clientes são poesias. Suas dores e confusões são belos poemas. Existe uma beleza no expressar do sofrimento e na força e coragem que cada um demonstra quando se debruça sobre seus destroços. A minha escuta tem função de abraço. Sem julgar. Sem desejar inibir.

Eu sou psicóloga e adoro poesia. Escuto-a sempre que vejo meus clientes fugir habilidosamente de suas verdades. É encantador os caminhos que decidimos percorrer para evitar de enfrentar nossos medos. Geralmente, esses caminhos acabam nos levando para lugares estranhos, distantes demais do nosso “marco zero” e para retornar precisamos enfrentar diversos desafios. Não é fácil, mas existe beleza nas nossas armadilhas.

Manoel de Barros anunciava “ Tem gente que nasce poesia.” E eu acho que todos nós nascemos assim. Porém, alguns se perdem no meio do percurso. Sou psicóloga e admito, as vezes, talvez sempre, a minha função é colaborar pra que cada sujeito reencontre a beleza poética nos seus dias. Que cada um possa ser o que puder ser a cada momento de seu existir. Se for dor, seja imensidão. Se for lágrima, seja tempestade no verão. Mas se for riso, seja sol. Se for alegria, seja calmaria de mar. Se for felicidade, seja vento no fim de tarde.

A vida precisa de poesia. E poesia simples. Poesia rasa. Da rotina. Do novo em cada repetição. Sou psicóloga e em alguns momentos também gosto de dizer que sou poeta.



Andreza Crispim
Psicóloga CRP 02/17314
Psicomotricista Relacional
@psicoterapiafalemais

sábado, 24 de setembro de 2016

O equílibrio está no movimento.

É no inesperado que a terapia acontece. É na surpresa que as coisas são reveladas e desvendadas. É quando não se espera algo que a novidade poderá aparecer. De repente surge a dúvida no lugar onde só havia certeza. Quando o cliente chega até nós sem esperar nada, sem saber o que falar, sem saber o que pensar, faz-se nesse momento um terreno fértil onde qualquer coisa pode se cultivar e germinar. Não há resistências montadas. Não há defesas bem estabelecidas. Simplesmente estamos ali. Apenas estamos.

Lembro uma vez conversando com uma amiga que estava em processo terapêutico e dizia, que naquele dia, não tinha nada pra levar pro psicólogo. Estava tudo tão bem, tão tranquilo, tão em paz, que não havia "conteúdo" para a sessão, e que estava até pensando em não ir. Sugeri que ela não deixasse de ir e que falasse de como tudo estava bem. Que contasse o quanto as coisas, naquele momento, estavam boas e tranquilas. Terapia também é espaço pra se falar da felicidade. Ela assim o fez. No outro dia chegou pra mim e disse: Minha irmã, ontem foi uma das sessões mais fodas na minha vida. Tu não tem ideia. Sim, é no momento que não esperamos nada que coisas novas podem acontecer.

Lembrem-se sempre disso: quando nos entregamos a situação sem marcá-la com nossas expectativas é que algo realmente surpreendente poderá acontecer. Temos a tendência de planejar, projetar e imaginar as circunstâncias antes delas se delinearem, pois com isso esperamos estar mais preparados para possíveis frustrações. Geralmente nos planejamos para evitar o desprazer. Para ficamos mais seguros. Isso acontece principalmente quando já passamos por situações de tensões e sofrimento. Queremos evitar a repetição. Acabamos nos impedindo um pouco (ou muito) nesse processo. Quero dizer que ao evitarmos o desprazer e a decepção estamos evitando na mesma proporção o prazer e a conciliação. Não dá pra passar na vida sem vivê-la integralmente e a vida é tudo, prazer e desprazer. Nossas seguranças são ilusórias. Estamos passando. Às vezes tentamos ficar, tentamos manter, tentamos estagnar, mas não dá. Não dá! Estamos passando por mais que não nos percebamos nesse processo. "O tempo só anda de ida", já dizia o poeta Manoel de Barros. 


Claro que também precisamos estar cientes dos nossos limites e poder respeitá-los. Não precisamos estar sempre disponíveis a tudo e a todos. Podemos rejeitar, é claro. Na verdade, devemos rejeitar aquilo que não nos fará bem. O não existe para ser dito e ouvido. Porém não podemos nos engessar nessa atitude. Não podemos criar barreiras a mais do que as que realmente existem. Podemos rejeitar, mas também podemos experimentar, podemos aceitar e receber. No instante que reconhecermos nossos limites e respeitá-los sem superestimá-los faremos uso da  nossa liberdade de escolha e nos tornaremos mais responsáveis por nossas ações.

A vida acontece no inesperado, na surpresa. A terapia é espaço para revelações e descobertas. A terapia é espaço para encararmos as diversas verdades e aceitarmos as variadas mentiras que insistimos carregar na nossa história para podermos aliviar nossos sentimentos. Apenas conhecendo a versão singular de cada um sobre sua própria vida é que poderemos seguir o caminho mais apropriado para nós.


Desejo a todos muitas surpresas e que a vida seja uma eterna instabilidade. 

Andreza Crispim
Psicóloga CRP 02/17314
Psicomotricista Relacional
@psicoterapiafalemais

O céu que arde na terra.

Celeste nasceu em noite estrelada. Filha única de um casal maduro que já havia perdido a esperança de procriar. Celeste nasce como um milagr...