quarta-feira, 25 de abril de 2012

Dê-me o nada.

É inimaginável. É impensável. Não dá para articular palavras e estabelecer um sentido sobre tal questão. Será que não vê que o que fala é tão despropositado que chega a ser engraçada tal colocação? Como? Diga-me como pode ser possível a aparição de algo que nunca existiu? Não há possibilidades de reavermos o que jamais tivemos. É melhor aceitarmos a nossa condição de não sermos e deixar para trás aquilo que poderíamos ter sido. 

Pense bem, imagine olhar nos meus olhos e vê o abismo que nos atravessa. Dividir um abraço e perceber a frieza de nossa pele. Observar que dos lábios saem palavras que nada dizem. Notar que entre nós dois nada há. Sorrisos artificiais e lágrimas escondidas. Por favor, não nos obrigue a passar por tal constrangimento. Por que tentar ir além dos limites? Chega. Eu desisti. Não quero mais ter que esperar. Não há o que esperar. O que vem do seu lado sempre é o nada. Não saberei receber alguma coisa. Fique. 

Imagine eu ter que olhar nos seus olhos e ver que minhas fantasias não findaram. Pense em como seria reacender em mim a esperança de um dia ter aquilo que nunca pude. Como seria sentir o afago? Como seria ter uma lembrança em que pudesse apoiar meu discurso? Não posso. Não aguento. Tenho medo. Não é possível. Isso é inimaginável. Não há nada do seu lado que eu queira esperar. Não posso mais esperar. Por favor, não force meus limites. Não me peça mais. Desisti. 

Não saberia ter aquilo que sempre quis. Nesse momento não posso me perder no seu sorriso e me afogar na possibilidade de sonhar. Eu desisti. 

sábado, 17 de março de 2012

É com você.

Ficar próxima, mas não muito.
Ficar distante, mas não tanto.
Qual a medida certa para prevenir decepções?
Não sei.

Nessa confusão métrica fico suspensa.
Em eterno balanceio procurando o ponto de equilíbrio.
Já me disseram que não é possível.
Mas, não posso deixar de acreditar.

Permaneço assim buscando.
Nunca encontrando.
Insatisfeita por escolha
Pois, não há o que encontrar.

Uma lição que tudo irá mudar
Terei que aprender:
Ser sozinha é condição.
Aceite-a!

sábado, 3 de março de 2012

Um ducado a mais.

Mudar custa caro. É mais fácil ficar imóvel. Repetir-se. Contudo, muitas coisas se perdem permanecendo no mesmo local. Naquele lugar que não te acolhe mais. Não cabe mais. 

O pensamento já devorou todas as possibilidades. As saídas estão marcadas, mas você não consegue continuar, pois é mais fácil repetir. 

Como ser então? 

Veja, tudo se move. As coisas ao redor não param. O vento uiva para lembrar-te que ele ainda está lá te esperando para voar pelo tempo. Use suas energias. 

Não há mais espaço para reflexão. Suas construções intelectuais não servem nesse momento. É necessário mover as pernas e olhar adiante. 

Mudar custa caro, mas a vida não tem preço. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O zombador.

Mais uma vez o silêncio vem gritar aos meus ouvidos
Não quero ouvi-lo. Não posso ouvi-lo.
Não é linguagem. É sentimento. 
Sentimento cru. 

Diante do silêncio fico nua.
Em sua presença sou.
Ele arranca minhas vestis.
Tira meu conforto.

O silêncio tira meu chão.

Decidi um dia encará-lo.
Respirei fundo e lancei de minhas entranhas
Um som que nunca pensei ser capaz de produzir.
Tudo que estava ao redor sucumbiu.

E foi então que o silêncio sorriu pra mim.
Nesse instante percebi que desde o início
Fui eu. Sempre foi meu.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

O que há por detrás do dito?

Não sei por qual motivo me fere tanto as coisas que saem de sua boca. Alias, sei sim, mas é difícil aceitar. Queria conseguir lidar com suas palavras de maneira imparcial, mas não é possível. De todas as pessoas no mundo você é aquela que tem sobre mim uma influência tão grande que qualquer suspiro vira ventania. O pior de tudo isso é saber que sua força lhe é despercebida. Como culpá-la então? 

Milhares de perguntas sobrevoam minha mente no instante em que uma simples frase é proferida de sua boca. Ela surge como uma maleta repleta de significados. Vem flutuando. Procurando o alvo. Meu coração vive exposto. Não sei cobri-lo. Ela o acerta em cheio e me deixa sem ar por alguns segundos. São tantas perguntas que por um breve momento o mundo fica mudo. O pensamento preenche todas as brechas e não dá espaço a mais nada. Permaneço assim até que esse furor sentimental se acalma e consigo voltar ao chão, mas nunca do mesmo jeito, jamais sendo a mesma. Algo se perde.

Fico tentando entender que sobrecarga é esta que deposita em meus ombros. São tantas exigências, palavras incertas, culpas depositadas. O que existe por detrás de tudo isso? Sinto que fiz ou faço algo de errado. Talvez não seja eu. Você não sabe o poder que tem sobre mim. Desconhece o peso de sua gramática sobre meus ouvidos. Sobre minha alma. Sobre minha vida. Não faz ideia do esforço que faço para tentar corrigir algo imaginário. Não tem noção dos recursos que lanço mão para consertar o invisível. O indizível. Não sei pelo o quê, mas em muitos momentos sinto vontade de pedir desculpas. E a impressão de que elas não seriam aceitas.

Existem muitas coisas entre nós. Tantos nós. Quantos cortes. Cicatrizes. Silêncio ensurdecedor. Perdemos em alguma parte do percurso o sentido de tudo o que fazemos atualmente. Como reencontrar a mesma condição que nos fazia ser naturais, espontâneas? Como transformar essa situação?


Quando finalmente enxerguei, fiquei cega.
Meus olhos se negavam a perceber.
A minha visão estava nublada,
embasada, perturbada.

Quando inesperadamente escutei, fiquei surda.
Meus ouvidos não captavam mais as palavras.
Os sons se calaram.
Ficaram confusos.

Quando desesperadamente falei, fique muda.
Minha boca não aceitava mais transmitir os pensamentos.
As ideias foram silenciadas,
atrasadas, afastadas.

Quando sem querer senti, fiquei apática.
Minha alma não conseguiu aguentar.
As dores estão sufocadas,
acalmadas, fingidas.




terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Como foi feito?

É difícil encarar os variados fatos que ocorreram para as coisas estarem como estão. Olhar para trás e perceber que esse caminho já estava sendo trilhado sem você se dá conta de onde ele levaria não é algo fácil de ser realizado. Talvez até soubesse das consequências de cada passo, porém preferiu continuar sem muitas reflexões. E agora, quando você se depará com tudo aquilo que temia, porém sempre caminhou em direção a isso, se pergunta "como foi que aconteceu?".

Em primeiro lugar não aconteceu. Todas as suas escolhas e decisões te encaminharam para esse momento. Você participou de cada detalhe. Você não é vitima. Você não é algoz. Repense sua história, a nossa história e veja como tudo estava antes e me diga agora como foi que aconteceu. Consegue notar a relação?

Talvez tivesse intenções diferentes. Não sei. Nossa vida é uma teia que nos uni aos outros e a nossa própria história. Não há como escapar da responsabilidade para com sua vida. Com isso, não pergunte como as coisas aconteceram e sim, como elas foram feitas. Pare um pouco e respire, as vezes é necessário mergulhar fundo nas lembranças para encontrar algumas explicações e até mesmo um ponto que te dará força para enfrentar os obstáculos. 

Contudo, nada adiantará vasculhar o passado se não estiver disposto a aplicar todo o aprendizado na construção de um futuro mais agradável. É preciso ter força para mudar, pois isso significa reconsiderar as diversas decisões que já foram tomadas e reavaliar suas atitudes tendo consciência de seu papel para consigo mesmo. Existe ainda oportunidade. Não será fácil. Não será rápido. Será um trabalho solitário, porém possível. 

O céu que arde na terra.

Celeste nasceu em noite estrelada. Filha única de um casal maduro que já havia perdido a esperança de procriar. Celeste nasce como um milagr...