Há dias que sou seca.
Outros inundação.
Terreno instável.
Maleável.
Sou terra árida que nada cresce.
Sou fina chuva que tudo cria.
Em mim há desertos.
Construo oásis.
Aqui se lê sobre tudo o que interessa a quem escreve. Tudo muda constantemente, inclusive as opiniões. Aqui se encontra uma escrita livre que se impulsiona pelo desejo de expressar-se. Sinta-se a vontade para questionar e criar. No dia a dia construo minhas ideias e elas diariamente me desconstroem. Nessa costura que faço na minha rotina compartilho com vocês os retalhos e que possam, assim, remendar seus seres.
sábado, 25 de maio de 2019
sábado, 4 de maio de 2019
A vida é imprevisível.Que tola eu fui em pensar que podia controlá-la. Como sou ingênua em acreditar que meus planos garantem segurança. Só foi preciso um pano no chão pra me mostrar que estou errada. A vida é encadeamento. Rede de fatos e ocasiões que desembocam num fim e marcam um novo começo. Só foi preciso um pano no chão e eu cai. Abre-se enfim o mistério da queda. Nunca levantamos os mesmos. Por menor que seja ela nos marca. Ensina. Amedronta. Fortalece. Fortalece? A minha humanidade e fragilidade ficou clara no momento que cai. Agora tenho consciência que meu corpo não é de ferro, sou carne e ossos. E ossos fraturam. Ossos quebram. Sou nervos. E nervos ... Bom, nervos são sensíveis e fundamentais. Finas redes que conectam tudo e dão movimento. Gente, foi só um pano no chão. Como pode? Pode. E agora, diante da minha fragilidade, temo. Temo a vida e sua imprevisibilidade. Temo meu corpo e sua finitude vulnerável. E cá estou eu, nesse mistério que se revela e me assusta. A vida não se trata de justiça. Ela só acontece. Ela só se faz. Ela corre. Eu, tropeço em um pano no chão.
domingo, 28 de abril de 2019
Vamos pensar no encaminhamento para o psiquiatra?
É comum falarmos sobre as barreiras, preconceitos e resistências enfrentadas pelos clientes no momento em que eles decidem procurar por psicoterapia. O processo psicoterápico ainda é visto como sinônimo de loucura, fraqueza, desorganização e motivo de vergonha. Geralmente o cliente vem escondido dos amigos e dos familiares. Aos poucos essa primeira impressão vai se diluindo. O cliente já consegue admitir que faz psicoterapia para as outras pessoas sem culpa e vergonha. Sente-se mais livre e auto confiante.
E então, chega o momento de encaminhar o cliente para a psiquiatria. Cada caso tem sua particularidade e dependendo da demanda do sujeito esse encaminhamento precisa ser realizado com muita cautela e respeito. Pois, com a psiquiatria, também existem barreiras, preconceitos e resistências. Corre o risco do cliente desistir da psicoterapia por temer a indicação para a psiquiatria. Não é todo caso que precisa ser encaminhando, porém em alguns, é essencial que seja.
Juntamente com um cliente que possui grande medo da medicação psiquiátrica, construímos um sentido para a indicação do profissional. O nível de angústia estava altíssimo. A angústia estava insuportável e destrutiva. Nesse momento havia apenas dor e uma dor que não permitia transformação. "Estou afundando. Cada vez mais indo pro fundo. Sinto que não terei mais força pra pegar impulso e subir. Estou cansado. Exausto. E começo a pensar que seja melhor afundar." Havia risco contra sua própria segurança. Aqui, era essencial o apoio psiquiátrico. Existe o medo da internação. Existe o medo do mal profissional. Existe o medo do excesso de medicação. Há escuta de todos os temores e inseguranças, porém, "meu bem, não podemos vacilar. Nesse momento agora você precisa sim, de uma intervenção psiquiátrica. O impulso suicida está forte. E com a morte não há segunda chances. Estamos aqui com você e vamos cuidar disso tudo."
"Qual o sentido da medicação? Vai me ajudar como?"
"A medicação, de uma forma bem aplicada, vai lhe ajudar a não afundar. Imagine que ela será uma boia. A psicoterapia durante um tempo te ajudou a nadar (e as vezes, a psicoterapia ensina o cliente a nadar e a ter coragem de entrar no mar), contudo, nesse momento, você não está mais conseguindo. A medicação servirá como uma boia. Ela não irá lhe tirar da água, mas te ajudará a não afundar. Assim poderemos continuar navegando com menos dificuldades. Até que, você sinta-se forte o suficiente, para continuar sem o suporte da boia. E quem sabe, um dia, não precisará mais que eu lhe acompanhe."
"Entendi, mas tô com medo."
Psicoterapia é sutileza. Psicoterapia é poesia.
sábado, 27 de abril de 2019
Cuidar da palavra
Minhas palavras têm afeto. Carregam em si minha história. Minhas palavras são identidade. O que digo, representa carne. Discurso vivo das minhas experimentações. Minhas palavras são o conjunto de minha personalidade. O que falo, sou. Sou o que falo. Falo às vezes sem ser. Sou o que calo. Calo para ser. Palavra revela e dissimula. Palavra transcende. É nela que reencontro minha ancestralidade e constituo-me como humana. Palavra é vida e morte. Palavra é ponto de partida que lhe encaminha a um ponto de chegada. Na palavra encontro. Na falta procuro palavra e desejo. Na palavra sou esperança.
Confissões
Já me atirei em abismos propositalmente para parir poesia.
Coração sossegado não cria rima.
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