segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Parto

Quando meu filho nasceu,
Eu pari.
Fui puro parto.
Naquele momento vi que não havia volta.
Eu fui partida,
Ao encontro de um novo Eu.


Para todas as minhas amigas gestantes e mães.







quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Sobre o brincar no atendimento infantil.


Diversas vezes vejo as pessoas questionando o fato de em atendimentos infantis, nós psicólogos, brincamos com as crianças/clientes. Quero explicar que essa situação se dá por um fato muito simples, é brincando que a criança se comunica. É através da brincadeira que ela revela o seu mundo, seus sentimentos e os modos de relações que vivencia no seu dia a dia. Nós, enquanto profissionais da escuta, precisamos acolher a criança na sua realidade, e é com o brincar que conseguimos compreendê-la na sua singularidade e ajudá-la no processo de desenvolvimento. 

Também quero dizer que brincar é coisa séria. É a expressão autêntica do ser humano. Pura criatividade e espontaneidade. Brincar é saúde. Saber usar a brincadeira para a compreensão das demandas infantis e intervir nesse campo lúdico não é tarefa fácil e exige bastante do profissional. Ao escutar seu filho(a) dizer que brincou com o psicólogo, não se espante e nem se revolte, pois é através dessa ferramenta que intervimos no universo infantil.

Quer experimentar? Pare um pouco para observar as brincadeiras das crianças e verá o quão significativo é esse momento. O quão é revelador e repleto de possibilidades. Criança que não brinca está adoecida, empobrecida na sua potencialidade. Repito, brincar é coisa séria.

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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015


É bastante comum antes das festas de natal e ano novo algumas pessoas começarem a se sentir tristes e angustiadas. Chamam esse evento de depressão de fim de ano. O que será que ocorre nessa época do ano que sensibiliza e mobiliza tantas pessoas? Sugiro alguns pontos:

1. O final de ano remete à uma avaliação de como percorremos e utilizamos nosso tempo. Somos levados a olhar para trás e refletir sobre o caminho traçado. Às vezes notamos o quando estamos perdidos e o quanto estamos afastados de um modelo de vida que satisfaça nossas expectativas. Tornámo-nos conscientes das nossas falhas e das saudades que nos acompanham durante todo dia e que é amortecida pelo corre corre da rotina. No natal e no ano novo há um apelo emocional que nos convoca a entrar em contato com nossos sentimentos e memórias.

2. Existe a sensação que o ciclo da existência se renova no final e começo de cada ano, mas no fundo, nós sabemos que a vida está apenas seguindo. Essa percepção pode despertar certa angústia quando observamos que, por algum motivo qualquer, estamos estagnados. Podemos pensar que, "Mais um ano se passou e nada aconteceu. Mais um ano está chegando e eu não sei o que fazer."

3. Existe um trocadilho muito importante na passagem do tempo. A cada ano novo temos mais tempo na nossa história e menos tempo para aproveitá-la. Ela está esticando e cada vez mais fica próxima do rompimento. Somos convocados para encarar a finitude com as festas de fim ano.

4. Ainda existe o campo que se abre diante de nós com o passar dos anos. O novo. O desconhecido. O mistério. A possibilidade de mudança. Para alguns, esses sãos aspectos assustadores. 

Seria ótimo se aproveitássemos esse momento de sensibilização e auto reflexão para procurarmos apoio psicológico. São nessas circunstâncias onde nos mostramos disponíveis a repensar e questionar nossos comportamentos que a psicoterapia pode ajudar a facilitar e potencializar esse movimento de transformação. Que nesse ano novo sejamos tocados e passemos a olhar para a vida com mais consciência e propriedade.

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sábado, 28 de novembro de 2015

Onde está o teu desejo? Reflexão sobre o processo de auto-descoberta e apoderamento.

Nascemos e crescemos. No meio de tudo isso, desejamos. O desejo é uma lição que aprendemos ao longo da nossa história. Sim, o desejo precisa ser aprendido. Quando somos bebês nossas vontades ainda não possuem sentido lógico e são puros movimentos, puras atitudes, sentimentos sem palavras. Aos poucos ganhamos sentido e o sentir se torna consciência de um querer

Nosso querer é livre, é voraz e destemido. O mundo, na maioria das vezes, não suporta essa força, e assim, somos domados. Aprendemos limites. Aprendemos aceitação e respeito. Aprendemos também a negação, a fuga e a alienação. Aprendemos o esquecimento, a anulação e o refreamento. Somos adestrados.

Vejo diariamente na clínica pessoas que tiveram seus desejos roubados de si. Elas compreenderam bem a moral que diz "Pensar em si mesmo e realizar suas vontades é egoísmo e isso é errado, é feio e pecado". Hoje são adultos que não sabem o que querem e se desesperam na tentativa de sempre estarem disponíveis aos outros. 

Vejo pessoas que criticam o modo de vida alheio, mas não fazem ideia do que estão fazendo com a sua. Estão estagnadas. Desencontradas. Perderam-se a muito tempo quando acreditaram que era necessário satisfazer a vontade do próximo para se fazerem amados, desejados.

Quando se nega a uma criança a validação e reconhecimento de seu desejo se nega a criança inteira. Nossos desejos expressam a autenticidade da percepção que temos sobre o mundo e as pessoas. Negligenciar isso é sufocar nosso mais puro meio de expressão pessoal. É limitar nossa criatividade e poder de inovar sobre o "destino".

Discute-se que precisamos impor limites para as crianças, e eu concordo, porém quero deixar claro que limites e sujeitos conscientes de seus desejos não são coisas opostas e discordantes. É absolutamente possível, e lógico, ter noção de suas limitações e do mundo, e afirmar suas necessidades e paixões. Ambas são facetas de um mesmo processo que é o desenvolvimento saudável da personalidade. É no limite, na falta, que a necessidade revestida de vontade poderá surgir e se firmar. É na limitação que encontramos estratégias para a realização de nossos objetivos como também nasce a motivação para buscar algo. Pense, como notamos a motivação dessa nova geração que é amplamente assistida e satisfeita de imediato?


Revelam alguns teóricos que estamos vivendo na era da falta de limites, porém observa-se que o número de jovens incapacitados para suportarem/lidarem com as adversidades da vida cresceu. Estamos educando jovens limitados emocionalmente. Precisamos aprender a desejar. Somente conscientes do nosso querer conheceremos a nós mesmos, seremos responsáveis pela construção de nossa história, estaremos abertos para relações com trocas autênticas, despertaremos para a busca de nossa satisfação e teremos capacidade para suportar e ultrapassar as frustrações. 


Precisamos aprender a desejar. E isso ocorre lá no começo, meio e fim da vida. Onde está o teu desejo? É fácil e simples desejar. Não deixem que lhe enganem quanto a isso. Difícil é assumi-lo. Reencontra teu desejo, e assim, reencontrarás a vida.


Fotos: Jackie Monteiro. Ilustradora/Artista Plástica.
www.jackiemonteiro.com.br

sábado, 21 de novembro de 2015

Sobre sonhos e coragem.

Desculpa-me mamãe.
Não pude realizar teus desejos.
É que eu quis mais.
Eu quero mais.

Teus sonhos, mamãe,
eram firmes e seguros,
mas a mim cabia sonhos encantadores.
Sonhos arriscados e com tons de inocência.

Eu sei, querida mãe,
que tu só queres o meu bem.
Eu sei.

Porém, ficas aí,
com teus sérios planos e estratégias.
E deixe-me cá,
a rir das minhas ingenuidades.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Composição.

Corpo eu sou
e sou palavra também.

Sou toda palavra que me lançaram durante a vida.
Sou todo toque que me depositaram enquanto história.

Sou o choro sufocado de minha mãe
e sua alegria escancarada.

Sou a presente ausência de meu pai.
Sou os ciúmes de meu irmão.

Sou os meus nós e laços.
Sou toda abraço.

O céu que arde na terra.

Celeste nasceu em noite estrelada. Filha única de um casal maduro que já havia perdido a esperança de procriar. Celeste nasce como um milagr...