sábado, 16 de julho de 2016

afetos.

Eu sinto tristezas inconfessáveis.
Invejas reprováveis.
Orgulhos desaprovados.
Vaidades egoístas.
Raivas desmedidas.
Nojos deploráveis.
Angústias impensáveis.
Amores profundos.
Carinhos clandestinos.
Alegrias singelas.
Eu sinto.
Meu Deus! Que coragem eu tenho.
A minha força está em admitir meus afetos.
Sem temê-los. Sem negá-los.
Apenas estão aqui.
Apenas são.

Eu sou.

domingo, 5 de junho de 2016

minha arte secou.
sem sentido.
perdida.
afastada de si.

minha arte secou.
as lágrimas agora rolam.
sem poema.
só tristeza
escondida no sorriso de todo santo profano dia.

domingo, 29 de maio de 2016


gosto de brincar com palavras
apenas escrevo
não penso
quando vejo
faz rima
faz beleza
vira poesia
e eu poeta.


em cada linha que escrevo existe uma lágrima que não foi derramada.
Já deixei de chorar rios.







Foto: Cayo César

quinta-feira, 10 de março de 2016

A vida só quer uma coisa da gente: coragem.

"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem." (Guimarães Rosa).

A primeira fez que vi essa citação fiquei chocada com a força, simplicidade e veracidade das palavras. É tão simples que dá medo. É isso, a vida só quer da gente coragem. Pense bem, quantos sonhos foram deixados para trás por termos medo de arriscar? Quantos nãos foram calados por temermos as consequências? E haja desencontro e insatisfação. "Viver é um risco e eu tenho medo do perigo", já dizia Leoni. 


O tempo fica encarregado de nos mostrar o quanto a vida não nos pede autorização para romper nossa rotina e transformar nossos planos. Seguíamos ali, seguros, tranquilos e de repente "O correr da vida embrulha tudo". Ficamos confusos e perdidos. Precisamos reconstruir. Precisamos recriar. Como continuar frente a essa bagunça? Como prosseguir se nossos planos foram desorganizados? O que fazer agora? Hajam dúvidas. Haja medo. Será preciso coragem para sonhar novamente. Para acreditar novamente. Para seguir com novas perspectivas.

E ficamos assustados, pois percebemos que não estamos seguros. As coisas não são assim tão certas e seguem um caminho centrado. Nossa ilusão acabou, porém, parece que a vida pede que nos iludamos novamente pra continuar. Ela pede que a gente acredite quando perdemos a fé. Ela exige coragem quando estamos arrasados. A gente vai precisar a aprender a suportar e ultrapassar as dificuldades, pois "A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.".

Por mais que não pareça estamos sempre em contato com coisas novas. A vida é um repleto encontro com a novidade. Não há como fugir disso. Notamos que chega um momento na nossa história que não dá mais pra repetir. Ela exige inovação. Diante do novo não temos respostas imediatas e pré-moldadas. Será preciso tempo, paciência e aceitação com as possibilidades de erros e decepções. Chega um instante na nossa caminhada que precisamos mudar o passo, o ritmo, pois não dá pra continuar da mesma forma. "O que ela quer da gente é coragem."

Ah, o quanto precisamos de coragem. Ela é o ponto de partida para tudo. Através dela tomamos decisões, aceitamos as consequências e reorganizamos nossos dias. Experimentamos novas formas de viver que sejam mais satisfatórias, encaramos as falhas, ultrapassamos as vitórias e assumimos nossos desejos. Coragem não para enfrentar a vida, pois não estamos numa batalha com ela, mas coragem para caminharmos ao lado dela de mãos dadas, passando por tudo o que vier no caminho e continuando apesar dos obstáculos.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O Quarto de Jack.

Quem não assistiu se prepare, pois lerá algumas informações que podem prejudicar a surpresa sobre o filme.


O Quarto de Jack é um filme de extrema sensibilidade. Acompanhamos a situação de cativeiro de Joy, a mãe de Jack, que foi sequestrada aos 17 anos e vive nessa situação a 7 anos. Quanto a Jack, que possui 5 anos, não há sofrimento por viver isolado em um quarto de 10m², muito pelo contrário. O que assistimos é uma criança saudável que acredita que o mundo se resume a aquele quarto e mesmo com dificuldades tem uma vida feliz, alegre e repleta de sonhos.

Acredito que esse é o ponto mais complexo do filme. Jack, não vive em sofrimento por suas condições de vida. Com amor e dedicação, Joy conseguiu criar uma atmosfera de saúde no meio do caos e da dor. A criança é preservada. Mesmo nesse ambiente recluso o garoto tem uma criatividade imensa que o ajuda na leitura de mundo e a transformar seu universo. É possível constituir uma relação saudável dentro de um ambiente de imenso sofrimento. 

É fundamental salientar que o mundo de Jack se resume ao quarto. Tudo que ele se relacionou na vida foi com os instrumentos que existem no quarto. Mas, Joy sabe que o mundo é muito maior e começa a ter medo pela segurança do filho e assim, arquiteta um plano para a fuga. 


Fora do quarto as coisas tomam novas dimensões. Jack precisa se adaptar a tudo e todos. Joy, também. Para Jack a saída do quarto foi abertura para um mundo de possibilidades, novidades e desafios, as vezes assustava e ele questionava não poder voltar pra casa, sim casa. Já para Joy a saída do quarto foi encarar um mundo de perdas e lutos. Perceber o quanto as coisas mudaram e se questionar sobre a vida que perdeu, a história que foi interrompida. Haja dor. Pois, o cativeiro não era e nunca foi sua casa e sua casa, não era mais a mesma e nem ela.
 


O que aprendi com esse filme foi o quanto o ser humano se constitui de fato em relação, e mais do que o clima do ambiente, são as relações que transformam e nutrem nosso ser. O amor, o respeito e a compreensão são fundamental na formação de uma subjetividade. Não venha mais me falar de ambientes tóxicos, o que existe são relações tóxicas, como por exemplo, a repórter sem noção que entrevista Joy - que ódio daquela mulher DOENTE.

Para fechar um pequeno diálogo:
- Eu não sou uma boa mãe.
- Mas você é a mãe.












em meus olhos atirei lágrimas
chorei palavras entaladas
fui mágoa
virei cachoeira
renasci em pôr do sol
sou entardecer

O céu que arde na terra.

Celeste nasceu em noite estrelada. Filha única de um casal maduro que já havia perdido a esperança de procriar. Celeste nasce como um milagr...