Eu sinto tristezas inconfessáveis.
Invejas reprováveis.
Orgulhos desaprovados.
Vaidades egoístas.
Raivas desmedidas.
Nojos deploráveis.
Angústias impensáveis.
Amores profundos.
Carinhos clandestinos.
Alegrias singelas.
Eu sinto.
Meu Deus! Que coragem eu tenho.
A minha força está em admitir meus afetos.
Sem temê-los. Sem negá-los.
Apenas estão aqui.
Apenas são.
Eu sou.
Aqui se lê sobre tudo o que interessa a quem escreve. Tudo muda constantemente, inclusive as opiniões. Aqui se encontra uma escrita livre que se impulsiona pelo desejo de expressar-se. Sinta-se a vontade para questionar e criar. No dia a dia construo minhas ideias e elas diariamente me desconstroem. Nessa costura que faço na minha rotina compartilho com vocês os retalhos e que possam, assim, remendar seus seres.
sábado, 16 de julho de 2016
domingo, 5 de junho de 2016
domingo, 29 de maio de 2016
quinta-feira, 10 de março de 2016
A vida só quer uma coisa da gente: coragem.
"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem." (Guimarães Rosa).
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem." (Guimarães Rosa).
A primeira fez que vi essa citação fiquei chocada com a força, simplicidade e veracidade das palavras. É tão simples que dá medo. É isso, a vida só quer da gente coragem. Pense bem, quantos sonhos foram deixados para trás por termos medo de arriscar? Quantos nãos foram calados por temermos as consequências? E haja desencontro e insatisfação. "Viver é um risco e eu tenho medo do perigo", já dizia Leoni.
O tempo fica encarregado de nos mostrar o quanto a vida não nos pede autorização para romper nossa rotina e transformar nossos planos. Seguíamos ali, seguros, tranquilos e de repente "O correr da vida embrulha tudo". Ficamos confusos e perdidos. Precisamos reconstruir. Precisamos recriar. Como continuar frente a essa bagunça? Como prosseguir se nossos planos foram desorganizados? O que fazer agora? Hajam dúvidas. Haja medo. Será preciso coragem para sonhar novamente. Para acreditar novamente. Para seguir com novas perspectivas.
E ficamos assustados, pois percebemos que não estamos seguros. As coisas não são assim tão certas e seguem um caminho centrado. Nossa ilusão acabou, porém, parece que a vida pede que nos iludamos novamente pra continuar. Ela pede que a gente acredite quando perdemos a fé. Ela exige coragem quando estamos arrasados. A gente vai precisar a aprender a suportar e ultrapassar as dificuldades, pois "A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.".
Por mais que não pareça estamos sempre em contato com coisas novas. A vida é um repleto encontro com a novidade. Não há como fugir disso. Notamos que chega um momento na nossa história que não dá mais pra repetir. Ela exige inovação. Diante do novo não temos respostas imediatas e pré-moldadas. Será preciso tempo, paciência e aceitação com as possibilidades de erros e decepções. Chega um instante na nossa caminhada que precisamos mudar o passo, o ritmo, pois não dá pra continuar da mesma forma. "O que ela quer da gente é coragem."
Ah, o quanto precisamos de coragem. Ela é o ponto de partida para tudo. Através dela tomamos decisões, aceitamos as consequências e reorganizamos nossos dias. Experimentamos novas formas de viver que sejam mais satisfatórias, encaramos as falhas, ultrapassamos as vitórias e assumimos nossos desejos. Coragem não para enfrentar a vida, pois não estamos numa batalha com ela, mas coragem para caminharmos ao lado dela de mãos dadas, passando por tudo o que vier no caminho e continuando apesar dos obstáculos.
sexta-feira, 4 de março de 2016
O Quarto de Jack.
Quem não assistiu se prepare, pois lerá algumas informações que podem prejudicar a surpresa sobre o filme.
O Quarto de Jack é um filme de extrema sensibilidade. Acompanhamos a situação de cativeiro de Joy, a mãe de Jack, que foi sequestrada aos 17 anos e vive nessa situação a 7 anos. Quanto a Jack, que possui 5 anos, não há sofrimento por viver isolado em um quarto de 10m², muito pelo contrário. O que assistimos é uma criança saudável que acredita que o mundo se resume a aquele quarto e mesmo com dificuldades tem uma vida feliz, alegre e repleta de sonhos.
Acredito que esse é o ponto mais complexo do filme. Jack, não vive em sofrimento por suas condições de vida. Com amor e dedicação, Joy conseguiu criar uma atmosfera de saúde no meio do caos e da dor. A criança é preservada. Mesmo nesse ambiente recluso o garoto tem uma criatividade imensa que o ajuda na leitura de mundo e a transformar seu universo. É possível constituir uma relação saudável dentro de um ambiente de imenso sofrimento.
É fundamental salientar que o mundo de Jack se resume ao quarto. Tudo que ele se relacionou na vida foi com os instrumentos que existem no quarto. Mas, Joy sabe que o mundo é muito maior e começa a ter medo pela segurança do filho e assim, arquiteta um plano para a fuga.
O que aprendi com esse filme foi o quanto o ser humano se constitui de fato em relação, e mais do que o clima do ambiente, são as relações que transformam e nutrem nosso ser. O amor, o respeito e a compreensão são fundamental na formação de uma subjetividade. Não venha mais me falar de ambientes tóxicos, o que existe são relações tóxicas, como por exemplo, a repórter sem noção que entrevista Joy - que ódio daquela mulher DOENTE.
Para fechar um pequeno diálogo:
- Eu não sou uma boa mãe.
- Mas você é a mãe.
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