E não há lugar que me baste
Não há paz que me cabe
Sou pura agonia.
Aqui se lê sobre tudo o que interessa a quem escreve. Tudo muda constantemente, inclusive as opiniões. Aqui se encontra uma escrita livre que se impulsiona pelo desejo de expressar-se. Sinta-se a vontade para questionar e criar. No dia a dia construo minhas ideias e elas diariamente me desconstroem. Nessa costura que faço na minha rotina compartilho com vocês os retalhos e que possam, assim, remendar seus seres.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2016
sexta-feira, 18 de dezembro de 2015
Sobre o brincar no atendimento infantil.
Diversas vezes vejo as pessoas questionando o fato de em atendimentos infantis, nós psicólogos, brincamos com as crianças/clientes. Quero explicar que essa situação se dá por um fato muito simples, é brincando que a criança se comunica. É através da brincadeira que ela revela o seu mundo, seus sentimentos e os modos de relações que vivencia no seu dia a dia. Nós, enquanto profissionais da escuta, precisamos acolher a criança na sua realidade, e é com o brincar que conseguimos compreendê-la na sua singularidade e ajudá-la no processo de desenvolvimento.
Também quero dizer que brincar é coisa séria. É a expressão autêntica do ser humano. Pura criatividade e espontaneidade. Brincar é saúde. Saber usar a brincadeira para a compreensão das demandas infantis e intervir nesse campo lúdico não é tarefa fácil e exige bastante do profissional. Ao escutar seu filho(a) dizer que brincou com o psicólogo, não se espante e nem se revolte, pois é através dessa ferramenta que intervimos no universo infantil.
Quer experimentar? Pare um pouco para observar as brincadeiras das crianças e verá o quão significativo é esse momento. O quão é revelador e repleto de possibilidades. Criança que não brinca está adoecida, empobrecida na sua potencialidade. Repito, brincar é coisa séria.
Facebook: https://www.facebook.com/psicoterapiafalemais
Instagram: @psicoterapiafalemais
Quer experimentar? Pare um pouco para observar as brincadeiras das crianças e verá o quão significativo é esse momento. O quão é revelador e repleto de possibilidades. Criança que não brinca está adoecida, empobrecida na sua potencialidade. Repito, brincar é coisa séria.
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
É bastante comum antes das festas de natal e ano novo algumas pessoas começarem a se sentir tristes e angustiadas. Chamam esse evento de depressão de fim de ano. O que será que ocorre nessa época do ano que sensibiliza e mobiliza tantas pessoas? Sugiro alguns pontos:
1. O final de ano remete à uma avaliação de como percorremos e utilizamos nosso tempo. Somos levados a olhar para trás e refletir sobre o caminho traçado. Às vezes notamos o quando estamos perdidos e o quanto estamos afastados de um modelo de vida que satisfaça nossas expectativas. Tornámo-nos conscientes das nossas falhas e das saudades que nos acompanham durante todo dia e que é amortecida pelo corre corre da rotina. No natal e no ano novo há um apelo emocional que nos convoca a entrar em contato com nossos sentimentos e memórias.
1. O final de ano remete à uma avaliação de como percorremos e utilizamos nosso tempo. Somos levados a olhar para trás e refletir sobre o caminho traçado. Às vezes notamos o quando estamos perdidos e o quanto estamos afastados de um modelo de vida que satisfaça nossas expectativas. Tornámo-nos conscientes das nossas falhas e das saudades que nos acompanham durante todo dia e que é amortecida pelo corre corre da rotina. No natal e no ano novo há um apelo emocional que nos convoca a entrar em contato com nossos sentimentos e memórias.
2. Existe a sensação que o ciclo da existência se renova no final e começo de cada ano, mas no fundo, nós sabemos que a vida está apenas seguindo. Essa percepção pode despertar certa angústia quando observamos que, por algum motivo qualquer, estamos estagnados. Podemos pensar que, "Mais um ano se passou e nada aconteceu. Mais um ano está chegando e eu não sei o que fazer."
3. Existe um trocadilho muito importante na passagem do tempo. A cada ano novo temos mais tempo na nossa história e menos tempo para aproveitá-la. Ela está esticando e cada vez mais fica próxima do rompimento. Somos convocados para encarar a finitude com as festas de fim ano.
4. Ainda existe o campo que se abre diante de nós com o passar dos anos. O novo. O desconhecido. O mistério. A possibilidade de mudança. Para alguns, esses sãos aspectos assustadores.
Seria ótimo se aproveitássemos esse momento de sensibilização e auto reflexão para procurarmos apoio psicológico. São nessas circunstâncias onde nos mostramos disponíveis a repensar e questionar nossos comportamentos que a psicoterapia pode ajudar a facilitar e potencializar esse movimento de transformação. Que nesse ano novo sejamos tocados e passemos a olhar para a vida com mais consciência e propriedade.
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sábado, 28 de novembro de 2015
Onde está o teu desejo? Reflexão sobre o processo de auto-descoberta e apoderamento.
Nascemos e crescemos. No meio de tudo isso, desejamos. O desejo é uma lição que aprendemos ao longo da nossa história. Sim, o desejo precisa ser aprendido. Quando somos bebês nossas vontades ainda não possuem sentido lógico e são puros movimentos, puras atitudes, sentimentos sem palavras. Aos poucos ganhamos sentido e o sentir se torna consciência de um querer.
Nosso querer é livre, é voraz e destemido. O mundo, na maioria das vezes, não suporta essa força, e assim, somos domados. Aprendemos limites. Aprendemos aceitação e respeito. Aprendemos também a negação, a fuga e a alienação. Aprendemos o esquecimento, a anulação e o refreamento. Somos adestrados.
Vejo diariamente na clínica pessoas que tiveram seus desejos roubados de si. Elas compreenderam bem a moral que diz "Pensar em si mesmo e realizar suas vontades é egoísmo e isso é errado, é feio e pecado". Hoje são adultos que não sabem o que querem e se desesperam na tentativa de sempre estarem disponíveis aos outros.
Vejo pessoas que criticam o modo de vida alheio, mas não fazem ideia do que estão fazendo com a sua. Estão estagnadas. Desencontradas. Perderam-se a muito tempo quando acreditaram que era necessário satisfazer a vontade do próximo para se fazerem amados, desejados.
Quando se nega a uma criança a validação e reconhecimento de seu desejo se nega a criança inteira. Nossos desejos expressam a autenticidade da percepção que temos sobre o mundo e as pessoas. Negligenciar isso é sufocar nosso mais puro meio de expressão pessoal. É limitar nossa criatividade e poder de inovar sobre o "destino".
Quando se nega a uma criança a validação e reconhecimento de seu desejo se nega a criança inteira. Nossos desejos expressam a autenticidade da percepção que temos sobre o mundo e as pessoas. Negligenciar isso é sufocar nosso mais puro meio de expressão pessoal. É limitar nossa criatividade e poder de inovar sobre o "destino".
Discute-se que precisamos impor limites para as crianças, e eu concordo, porém quero deixar claro que limites e sujeitos conscientes de seus desejos não são coisas opostas e discordantes. É absolutamente possível, e lógico, ter noção de suas limitações e do mundo, e afirmar suas necessidades e paixões. Ambas são facetas de um mesmo processo que é o desenvolvimento saudável da personalidade. É no limite, na falta, que a necessidade revestida de vontade poderá surgir e se firmar. É na limitação que encontramos estratégias para a realização de nossos objetivos como também nasce a motivação para buscar algo. Pense, como notamos a motivação dessa nova geração que é amplamente assistida e satisfeita de imediato?
Revelam alguns teóricos que estamos vivendo na era da falta de limites, porém observa-se que o número de jovens incapacitados para suportarem/lidarem com as adversidades da vida cresceu. Estamos educando jovens limitados emocionalmente. Precisamos aprender a desejar. Somente conscientes do nosso querer conheceremos a nós mesmos, seremos responsáveis pela construção de nossa história, estaremos abertos para relações com trocas autênticas, despertaremos para a busca de nossa satisfação e teremos capacidade para suportar e ultrapassar as frustrações.
Precisamos aprender a desejar. E isso ocorre lá no começo, meio e fim da vida. Onde está o teu desejo? É fácil e simples desejar. Não deixem que lhe enganem quanto a isso. Difícil é assumi-lo. Reencontra teu desejo, e assim, reencontrarás a vida.
Fotos: Jackie Monteiro. Ilustradora/Artista Plástica.
www.jackiemonteiro.com.br
sábado, 21 de novembro de 2015
Sobre sonhos e coragem.
Desculpa-me mamãe.
Não pude realizar teus desejos.
É que eu quis mais.
Eu quero mais.
Teus sonhos, mamãe,
eram firmes e seguros,
mas a mim cabia sonhos encantadores.
Sonhos arriscados e com tons de inocência.
Eu sei, querida mãe,
que tu só queres o meu bem.
Eu sei.
Porém, ficas aí,
com teus sérios planos e estratégias.
E deixe-me cá,
a rir das minhas ingenuidades.
Não pude realizar teus desejos.
É que eu quis mais.
Eu quero mais.
Teus sonhos, mamãe,
eram firmes e seguros,
mas a mim cabia sonhos encantadores.
Sonhos arriscados e com tons de inocência.
que tu só queres o meu bem.
Eu sei.
Porém, ficas aí,
com teus sérios planos e estratégias.
E deixe-me cá,
a rir das minhas ingenuidades.
segunda-feira, 16 de novembro de 2015
Composição.
Corpo eu sou
e sou palavra também.
Sou toda palavra que me lançaram durante a vida.
Sou todo toque que me depositaram enquanto história.
Sou o choro sufocado de minha mãe
e sua alegria escancarada.
Sou a presente ausência de meu pai.
Sou os ciúmes de meu irmão.
Sou os meus nós e laços.
Sou toda abraço.
e sou palavra também.
Sou toda palavra que me lançaram durante a vida.
Sou todo toque que me depositaram enquanto história.
Sou o choro sufocado de minha mãe
e sua alegria escancarada.
Sou a presente ausência de meu pai.
Sou os ciúmes de meu irmão.
Sou os meus nós e laços.
Sou toda abraço.
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Aleluia.
Ali, deitada de cara ao chão, te perdoei pela ausência, pelo vazio e pela saudade.
Ali, de cara ao chão, me perdoei pelo não, pela despedida e pela saudade.
Chorei todas as nossas distâncias.
Ali, de cara ao chão, me perdoei pelo não, pela despedida e pela saudade.
Chorei todas as nossas distâncias.
Adeus pai.
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