domingo, 29 de maio de 2016


gosto de brincar com palavras
apenas escrevo
não penso
quando vejo
faz rima
faz beleza
vira poesia
e eu poeta.


em cada linha que escrevo existe uma lágrima que não foi derramada.
Já deixei de chorar rios.







Foto: Cayo César

quinta-feira, 10 de março de 2016

A vida só quer uma coisa da gente: coragem.

"O correr da vida embrulha tudo.
A vida é assim: esquenta e esfria,
aperta e daí afrouxa,
sossega e depois desinquieta.
O que ela quer da gente é coragem." (Guimarães Rosa).

A primeira fez que vi essa citação fiquei chocada com a força, simplicidade e veracidade das palavras. É tão simples que dá medo. É isso, a vida só quer da gente coragem. Pense bem, quantos sonhos foram deixados para trás por termos medo de arriscar? Quantos nãos foram calados por temermos as consequências? E haja desencontro e insatisfação. "Viver é um risco e eu tenho medo do perigo", já dizia Leoni. 


O tempo fica encarregado de nos mostrar o quanto a vida não nos pede autorização para romper nossa rotina e transformar nossos planos. Seguíamos ali, seguros, tranquilos e de repente "O correr da vida embrulha tudo". Ficamos confusos e perdidos. Precisamos reconstruir. Precisamos recriar. Como continuar frente a essa bagunça? Como prosseguir se nossos planos foram desorganizados? O que fazer agora? Hajam dúvidas. Haja medo. Será preciso coragem para sonhar novamente. Para acreditar novamente. Para seguir com novas perspectivas.

E ficamos assustados, pois percebemos que não estamos seguros. As coisas não são assim tão certas e seguem um caminho centrado. Nossa ilusão acabou, porém, parece que a vida pede que nos iludamos novamente pra continuar. Ela pede que a gente acredite quando perdemos a fé. Ela exige coragem quando estamos arrasados. A gente vai precisar a aprender a suportar e ultrapassar as dificuldades, pois "A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta.".

Por mais que não pareça estamos sempre em contato com coisas novas. A vida é um repleto encontro com a novidade. Não há como fugir disso. Notamos que chega um momento na nossa história que não dá mais pra repetir. Ela exige inovação. Diante do novo não temos respostas imediatas e pré-moldadas. Será preciso tempo, paciência e aceitação com as possibilidades de erros e decepções. Chega um instante na nossa caminhada que precisamos mudar o passo, o ritmo, pois não dá pra continuar da mesma forma. "O que ela quer da gente é coragem."

Ah, o quanto precisamos de coragem. Ela é o ponto de partida para tudo. Através dela tomamos decisões, aceitamos as consequências e reorganizamos nossos dias. Experimentamos novas formas de viver que sejam mais satisfatórias, encaramos as falhas, ultrapassamos as vitórias e assumimos nossos desejos. Coragem não para enfrentar a vida, pois não estamos numa batalha com ela, mas coragem para caminharmos ao lado dela de mãos dadas, passando por tudo o que vier no caminho e continuando apesar dos obstáculos.

sexta-feira, 4 de março de 2016

O Quarto de Jack.

Quem não assistiu se prepare, pois lerá algumas informações que podem prejudicar a surpresa sobre o filme.


O Quarto de Jack é um filme de extrema sensibilidade. Acompanhamos a situação de cativeiro de Joy, a mãe de Jack, que foi sequestrada aos 17 anos e vive nessa situação a 7 anos. Quanto a Jack, que possui 5 anos, não há sofrimento por viver isolado em um quarto de 10m², muito pelo contrário. O que assistimos é uma criança saudável que acredita que o mundo se resume a aquele quarto e mesmo com dificuldades tem uma vida feliz, alegre e repleta de sonhos.

Acredito que esse é o ponto mais complexo do filme. Jack, não vive em sofrimento por suas condições de vida. Com amor e dedicação, Joy conseguiu criar uma atmosfera de saúde no meio do caos e da dor. A criança é preservada. Mesmo nesse ambiente recluso o garoto tem uma criatividade imensa que o ajuda na leitura de mundo e a transformar seu universo. É possível constituir uma relação saudável dentro de um ambiente de imenso sofrimento. 

É fundamental salientar que o mundo de Jack se resume ao quarto. Tudo que ele se relacionou na vida foi com os instrumentos que existem no quarto. Mas, Joy sabe que o mundo é muito maior e começa a ter medo pela segurança do filho e assim, arquiteta um plano para a fuga. 


Fora do quarto as coisas tomam novas dimensões. Jack precisa se adaptar a tudo e todos. Joy, também. Para Jack a saída do quarto foi abertura para um mundo de possibilidades, novidades e desafios, as vezes assustava e ele questionava não poder voltar pra casa, sim casa. Já para Joy a saída do quarto foi encarar um mundo de perdas e lutos. Perceber o quanto as coisas mudaram e se questionar sobre a vida que perdeu, a história que foi interrompida. Haja dor. Pois, o cativeiro não era e nunca foi sua casa e sua casa, não era mais a mesma e nem ela.
 


O que aprendi com esse filme foi o quanto o ser humano se constitui de fato em relação, e mais do que o clima do ambiente, são as relações que transformam e nutrem nosso ser. O amor, o respeito e a compreensão são fundamental na formação de uma subjetividade. Não venha mais me falar de ambientes tóxicos, o que existe são relações tóxicas, como por exemplo, a repórter sem noção que entrevista Joy - que ódio daquela mulher DOENTE.

Para fechar um pequeno diálogo:
- Eu não sou uma boa mãe.
- Mas você é a mãe.












em meus olhos atirei lágrimas
chorei palavras entaladas
fui mágoa
virei cachoeira
renasci em pôr do sol
sou entardecer

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

O tempo na psicoterapia.

Ultimamente venho pensando sobre tempo, mas não é um tempo qualquer, é um tempo que se desdobra e repercute na psicoterapia. Com os meus clientes venho aprendendo a ter paciência e respeito. Estou aprendendo a esperar e a aguardar as coisas acontecerem no momento que lhes for possível, e não na oportunidade que percebo. Espera, paciência, respeito, compreensão ... Venho aprendendo muita coisa com meus clientes. 


Cada sujeito tem seu tempo. Ouvimos muito isso na faculdade, em casa, nos livros, na vida e entendemos perfeitamente, mas sentir esse tempo, sentir essas nuances é algo bem diferente e difícil. Cada sujeito tem seu tempo e responde a ele de modo particular. No processo terapêutico ter essa afirmação em vista é fundamental, pois seremos seduzidos a querer "acelerar" ou "encurtar" o caminho a ser percorrido pelo cliente. Precisaremos ter paciência e saber esperar. Uma paciência questionadora e responsável. Uma espera ativa e atenta. 

Precisaremos estar atentos para percebemos em qual situação poderemos intervir e que tipo de intervenção será mais interessante para proporcionar o desdobramento do discurso do cliente e, gerar uma maior conscientização e apropriação de sua história. Necessitaremos do questionamento para notarmos os pontos de interrupção e fuga que possam estar dificultando a autodescoberta e, com cuidado e seriedade, trazer eles a tona e minimizar seus efeitos. A escuta do psicólogo nunca é passiva. Escutar não é passividade. Jamais será. Falar é de imensa responsabilidade, pois falamos em cima da história de um outro que num ato de confiança escolhe se revelar para nós. 


Venho aprendendo que uma intervenção, dentro de uma psicoterapia, nunca se perde de fato. Não desaparece. Não deixa de gerar um efeito. Talvez, por estarmos em outro tempo - cada sujeito tem seu tempo e responde a ele de modo particular - acreditamos que uma intervenção não tenha surtido efeito por não ter gerado o impacto que imaginávamos. Talvez, aquela intervenção surja como reveladora depois de um mês ou depois de um ano, quem sabe? De repente o/a cliente chega falando sobre alguma autopercepção que teve após assistir um filme, ler um livro, conversar com um amigo e traz suas conclusões e as descobertas e eu penso: "Gente, a gente falou sobre isso mais ou menos 4 sessões atrás e ele/ela não vê isso?". É incrível. Além de ficar claro que a vida reflexiva do cliente não se encerra no consultório, noto que, de certa forma, aquela sessão pode ter possibilitado uma maior disponibilidade para encarar esse assunto. Aquela sessão atrás que trabalhamos tal conteúdo, mas que não pareceu mobilizar afeto e energia pode ter sido "apenas" facilitadora de uma compreensão posterior e mais funcional, e isso é enriquecedor.

Ou então, acontece que de repente o cliente fala "Estava em casa e veio uma frase que tu me falou...", paro e penso: "Nossa, isso faz tanto tempo e só agora...". Sim, só agora que foi possível. Só agora que ele pôde digerir. Só agora que ele pôde mastigar. É preciso paciência, espera e compreensão.

 

Algumas vezes o cliente evoluirá e na outra semana poderá voltar a um entrave anterior que já tinha sido superado. O tempo é fluído e brincante. Nunca voltamos para o mesmo lugar por mais que tenha o mesmo endereço. Somos outro e muita coisa mudou também na paisagem, na temperatura, nas pessoas que frequentam o espaço, na organização dos móveis e etc. Entendem? O cliente nunca retrocede. Ele sempre caminha para frente, por mais que não possa aceitar e se dar conta disso. A vida é fluída e está em constante movimento. Temos todos nós, semanas boas e ruins, respostas maduras e imaturas. Precisamos aprender a esperar, sermos pacientes e a respeitar nosso tempo e o tempo alheio.







Andreza Crispim
Psicóloga CRP 02/17314
Psicomotricista Relacional
@psicoterapiafalemais

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Sobre autoconfiaça.


Aprendemos desde cedo de que não podemos fazer tudo. Aprendemos que temos limites e limitações. Aprendemos que o mundo não está a nossa disposição para a realização de nossos desejos. Essas lições são importantes. São necessárias para a vida em comunidade. Porém, pergunto-me, em qual momento paramos de acreditar em nós mesmos e na nossa capacidade? Tornamo-nos inseguros e assustados.

Passo a notar que muitas de nossas dificuldades se dão pelo fato de não confiarmos em nós mesmos. Temos medo de não conseguir. Tememos fracassar e assim preferimos nem tentar. Tá bom do jeito que tá, mesmo que não esteja tão bom assim. Não confiamos no nosso potencial. Somos descrentes das nossas habilidades. Não nos conhecemos mais (Nos conhecemos algum dia?). 

Grande parte das nossas dificuldades se dá pelo fato de não confiarmos em nós mesmos, acreditam? Quando não sabemos se vale a pena escutar aquela voz que nos impulsiona a mudar. Quando não aceitamos o desejo de ser melhor, pois temos MEDO de arriscar. Autoconfiança é algo fundamental para a realização dos nossos sonhos. Sem isso, ficamos, ilusoriamente, paralisados. Fingimos satisfação com coisas pequenas. Sem autoconfiança não há força de vontade. Sem autoconfiança não há esperança. Quando foi que aprendemos a desacreditar de nós mesmos?

É simples, muitos problemas e dificuldades que encaramos na vida se dão por falta de autoconfiança. Não é o mundo que nos diz que não podemos. Somos nós que não acreditamos na força de nossas pernas. Somos nós que fechamos os olhos. Somos nós que não ousamos tentar com medo de nos decepcionarmos. Precisamos aprender a confiar em nós mesmos.

Andreza Crispim
Psicóloga CRP 02/17314
Psicomotricista Relacional
@psicoterapiafalemais

O céu que arde na terra.

Celeste nasceu em noite estrelada. Filha única de um casal maduro que já havia perdido a esperança de procriar. Celeste nasce como um milagr...